A Livraria Editora Vaticana (LEV) acaba de lançar um livro bem especial do Papa Leão XIV, intitulado “Desarmada e desarmante. A paz é um dom”. O lançamento aconteceu na terça-feira, 21, e a obra reúne discursos do Pontífice sobre a paz, com uma introdução inédita escrita pelo próprio Papa.
Em uma entrevista à mídia vaticana, o editor Alessandro Banfi compartilhou como foi uma honra compilar essa antologia. Ele destacou que a paz é o primeiro presente que Cristo Ressuscitado deu aos seus amigos e ao mundo, uma dádiva que tem um fundo profundo de sacrifício. Banfi reforça que a paz é um presente, mas também uma responsabilidade que cada um de nós deve assumir. Essa visão não ignora os problemas e a violência presentes na vida, mas propõe uma superação desses desafios.
### Discursos e Diálogos
Os discursos de Leão XIV, que vão desde o Dia Mundial da Paz até conversas com jovens em Tor Vergata, têm diferentes enfoques, mas uma preocupação central: a construção de diálogos e a criação de laços entre as pessoas. O editor lembra que, para transformar os tempos, precisamos fazer escolhas concretas. Ele afirma que “o fim da guerra, o fim do ódio e da violência começa por mim, na minha casa, com os meus colegas e vizinhos”. É muito interessante notar como a mudança começa em nosso cotidiano, nas pequenas interações do dia a dia.
Banfi também menciona que o Papa sugere uma mudança de perspectiva ao narrar conflitos. Ao invés de tratá-los como um jogo, é fundamental olhar para a realidade das vítimas – mulheres, crianças e homens que sofrem. Essa abordagem traz à tona a humanidade e a fragilidade das situações de guerra.
### A Mensagem do Papa
Na introdução do livro, o Papa Leão XIV fala sobre a paz como um desejo profundo presente em muitos corações, mas que frequentemente é ameaçado. Ele menciona que atualmente existem 103 países envolvidos em conflitos e destaca a urgência de se falar sobre isso. A realidade é dura: a violência e a injustiça estão presentes em lugares como Ucrânia, Oriente Médio, Sudão e muitos outros.
O Santo Padre enfatiza que a paz é uma responsabilidade coletiva. Se a nossa primeira reação diante de um problema for julgar ou condenar, a indiferença e o ódio se espalharão. A paz deve começar em nós, em nossos relacionamentos e nas pequenas ações cotidianas, como um gesto gentil ou um perdão.
O Papa também faz referência a figuras históricas que promoveram a paz, ressaltando a importância de cada um, mesmo aqueles que não são famosos. Ele conta a história de Stanislav Petrov, um oficial soviético que, em 1983, evitou um conflito nuclear ao não relatar um erro de sistema. Essa decisão salvou milhões de vidas e nos lembra que a consciência de uma única pessoa pode fazer toda a diferença.
### Esperança e Ação
Além de tudo isso, o Papa fala sobre a necessidade de esperança. Em tempos difíceis, ele nos convida a olhar para o futuro com otimismo, lembrando que a essência da mensagem de Jesus é o amor e a caridade. Essa mensagem de esperança é o que o mundo precisa, e devemos nos tornar construtores da paz em nossas vidas.
A obra traz reflexões valiosas sobre nosso papel nesse quebra-cabeça da paz. O convite é claro: cada um de nós deve fazer da paz uma causa pessoal. A mensagem é profunda e nos incentiva a agir com amor e compaixão, construindo um mundo mais justo e pacífico, começando por nós mesmos.