Igreja se coloca a serviço do povo, afirma arcebispo de Caracas

Um mês após os devastadores terremotos que atingiram a Venezuela, a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) fez uma coletiva de imprensa para compartilhar informações sobre a situação no país e as ações da Igreja. O arcebispo de Caracas, Dom Raul Biord Castillo, e a CEO da ACN Internacional, Regina Lynch, foram os protagonistas do encontro virtual realizado no dia 22.

Regina começou a coletiva ressaltando a gravidade da situação. Os números são alarmantes: mais de 5,2 mil mortos, 16,7 mil feridos e 23,5 mil pessoas que perderam suas casas. Ela destacou que mais de 850 prédios foram danificados, com 190 deles desmoronando completamente, principalmente em La Guaira. Na prática, isso significa que muitas pessoas estão vivendo em condições extremamente precárias, abrigadas em tendas improvisadas de plástico, enfrentando a temporada de chuvas.

Para Regina, a realidade é “chocante” e “apocalíptica”, comparando a tragédia da Venezuela a outras catástrofes recentes, como as do Haiti e do Paquistão. A empatia e a solidariedade têm sido fundamentais, e a Igreja se posiciona como um pilar de apoio para esses afetados, com bispos e padres ativamente presentes nas comunidades.

Dom Biord também fez sua parte ao agradecer a participação dos jornalistas. Ele não hesitou em afirmar que a tragédia é imensa e que alguns especialistas consideram os terremotos de 24 de junho como uma das maiores catástrofes da história do país. Ele mencionou a quantidade alarmante de desaparecidos, estimada entre 20 e 30 mil pessoas, além da preocupação com os desabrigados, especialmente em um período chuvoso.

O arcebispo enfatizou que bairros inteiros desapareceram e que a situação é crítica, pois muitos perderam não apenas suas casas, mas também seus empregos. A perspectiva de atender a todos os desabrigados em um curto espaço de tempo parece desafiadora.

Apesar da gravidade da situação, a tragédia uniu pessoas de diferentes partes do mundo e mobilizou a solidariedade. Dom Biord destacou que a Igreja tem estado presente nas ruas desde o primeiro dia após os terremotos. Para ele, a Igreja não é apenas um espaço físico, mas sim uma comunidade que se apoia mutuamente em tempos de crise. Ele expressou gratidão ao Papa Leão XIV, que logo após a tragédia, ofereceu seu apoio e incentivou outras conferências episcopais a se unirem em solidariedade.

Ele também mencionou o papel essencial da Cáritas, uma instituição de confiança que colabora com o governo para oferecer ajuda e conforto aos necessitados. A Igreja, através de seus seminaristas e outros agentes, tem trabalhado arduamente para levar esperança e assistência a todos os afetados pela tragédia.

A conversa trouxe à tona a realidade difícil enfrentada pela população, mas também a força da solidariedade que se manifesta em meio à dor.

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João Ribeiro