O Dia de Oração pelos Cristãos Perseguidos acontece nesta quinta-feira, 6 de abril, e traz à tona uma realidade alarmante: segundo um relatório da Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), 62 países enfrentam graves violações à liberdade religiosa, afetando cerca de 5,4 bilhões de pessoas ao redor do mundo. É impressionante pensar que, em pleno século XXI, ainda existem tantos desafios relacionados à fé.
O Frei Rogério Lima, da ACN, destaca que, apesar dos avanços tecnológicos e científicos, a defesa da dignidade humana ainda enfrenta muitos obstáculos. A liberdade religiosa, que deveria ser um direito fundamental, é negada em diversas partes do mundo por motivos políticos, ideológicos e extremistas. “A religião é, em muitos lugares, vista como uma ameaça ao poder estabelecido”, explica ele.
Na África, a situação é especialmente crítica. O frei, que atuou como missionário em Moçambique, ressalta que a perseguição religiosa não é uniforme em todo o continente. Existem regiões específicas, como o norte de Moçambique, que sofrem com isso, mas não se pode generalizar. Fatores como governos instáveis, pobreza e conflitos étnicos têm alimentado a atuação de grupos extremistas em países como Nigéria e Mali.
Mesmo em meio a esse cenário sombrio, Frei Rogério se mostra otimista ao observar a resiliência das comunidades cristãs. “Muitos continuam a participar das missas, reconstruir igrejas e educar seus filhos na fé, mesmo sabendo dos riscos envolvidos”, conta. A África é, na verdade, o continente com o maior crescimento de vocações religiosas, o que demonstra que a esperança cristã persiste mesmo diante de dificuldades.
Quando se trata de ações concretas para combater a violência e a discriminação, o primeiro passo é a conscientização. “A liberdade religiosa não é um privilégio, mas um direito que deve ser garantido pelos governos”, enfatiza o frei. A missão da Igreja é apoiar aqueles que sofrem, oferecendo assistência pastoral e humanitária, ajudando na reconstrução de igrejas e na formação de comunidades.
A oração também aparece como uma ferramenta poderosa. “Quando conversamos com cristãos perseguidos, o que eles mais pedem é que não nos esqueçamos deles em nossas preces”, diz Frei Rogério. E é exatamente por isso que o Dia de Oração pelos Cristãos Perseguidos é tão importante.
O relatório da ACN também diferencia entre perseguições abertas e discriminação institucional, que pode ser uma forma “silenciosa” de repressão. Essa discriminação se manifesta em barreiras para conseguir emprego, acesso a cargos públicos e até mesmo em ambientes escolares. Um exemplo chocante é o relato de um cristão na Tanzânia que ouviu de um empregador: “Aqui não temos emprego para cristãos.” Esse tipo de violência, embora menos visível, é devastadora e afeta a vida cotidiana dos fiéis.
Além disso, a violência tem levado ao deslocamento forçado de milhares de pessoas, especialmente na África Subsaariana e no Oriente Médio. O risco de desaparecimento completo de comunidades cristãs históricas é uma preocupação real. A perda não é apenas da vida religiosa, mas também de patrimônio cultural e da capacidade de diálogo entre diferentes tradições.
Por fim, as preces são fundamentais para apoiar a existência de todas as comunidades de fé. O testemunho de uma menina de nove anos, sobrevivente de um ataque a uma igreja na Nigéria, toca o coração: “Não tenho certeza se poderei continuar indo à igreja por enquanto, porque foi lá que levei um tiro.” Ela agradeceu a Deus por ter sobrevivido e pediu que todos mantivessem as orações por aqueles que ainda enfrentam essa dura realidade.