Fiéis comemoram 220 anos do nascimento do padre Ibiapina

Os paraibanos celebraram nesta quarta-feira, dia 5, os 220 anos de nascimento de Padre Ibiapina, uma figura marcante na história do Nordeste brasileiro. A festa foi realizada no Santuário Santa Fé e Memorial Padre Ibiapina, em Solânea, cidade onde o sacerdote viveu seus últimos anos. O evento reuniu muitos romeiros, religiosos e devotos que vieram prestar homenagem a esse grande evangelizador.

Nascido em Sobral, no Ceará, em 5 de agosto de 1806, José Antônio Maria Ibiapina teve uma infância difícil. Desde cedo, enfrentou desafios familiares e viu nos estudos uma forma de ajudar a sua família. Ele se destacou e se tornou um dos primeiros advogados formados no Brasil, passando por diversas funções importantes, como juiz de direito e deputado-geral. No entanto, sua vida tomou um novo rumo quando decidiu deixar a carreira pública e se dedicar completamente à vida religiosa.

Ordenado sacerdote aos 47 anos, Padre Ibiapina começou uma missão intensa pelo Nordeste. Imagine só, ele percorreu milhares de quilômetros a cavalo, levando apoio espiritual e material a comunidades carentes e isoladas. O legado dele é repleto de caridade e compaixão.

Um legado de caridade

O reitor do Santuário, padre Demétrio Moraes, que também é vice-postulador da causa de canonização de Ibiapina, destaca a profunda marca que ele deixou na história do Nordeste. “Ele foi o grande apóstolo do Nordeste. Aos 50 anos, quando muitos já pensam em se aposentar, ele se tornou missionário”, comentou. Estima-se que ele tenha viajado mais de 600 mil quilômetros, fundando casas de caridade, orfanatos, igrejas e cemitérios, sempre buscando ajudar os mais necessitados.

Durante as epidemias de cólera que atingiram a região no século XIX, algumas dessas instituições serviram como hospitais de campanha, salvando muitas vidas. A influência de Padre Ibiapina foi tão significativa que inspirou gerações de religiosos, como o jovem Padre Cícero, que viu nele um exemplo de dedicação.

Um exemplo para a Igreja

O bispo da Diocese de Guarabira, Dom Edilson Soares Nobre, também participou das homenagens e ressaltou a importância do testemunho de Ibiapina. Ele comentou que o sacerdote descobriu a alegria de ser padre e percebeu que poderia servir ao povo de forma mais intensa. “Padre Ibiapina mostrou que é possível unir evangelização e promoção humana”, destacou. Ele se dedicou a anunciar o Evangelho enquanto cuidava das necessidades das pessoas, tornando-se um símbolo de solidariedade e compromisso com a missão da Igreja.

Missa de encerramento

As comemorações dos 220 anos de Padre Ibiapina incluiu romarias, celebrações eucarísticas e momentos de devoção ao longo do dia. A missa de encerramento foi presidida por Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos, bispo da Diocese de Sobral, cidade natal do padre. Durante a cerimônia, ele ressaltou como Ibiapina é motivo de orgulho para sua terra natal e um exemplo de vida que se alinha com os ensinamentos da Igreja.

Mais de duas séculos depois do seu nascimento, o legado de Padre Ibiapina continua forte na fé do povo nordestino e nas obras que ele ajudou a criar. Isso solidifica sua imagem como um dos maiores missionários da história da região.

Caminho para os altares

O processo de canonização de Padre Ibiapina avançou em março de 2025, quando o Papa Francisco reconheceu suas virtudes heroicas e lhe concedeu o título de Venerável. Agora, a Igreja está em busca da comprovação de um milagre atribuído à sua intercessão, etapa essencial para a beatificação. O padre Demétrio Moraes afirmou que as análises de relatos de milagres estão em andamento. “Estamos catalogando os relatos mais consistentes para encaminhá-los ao postulador em Roma”, explicou.

E assim, a história de Padre Ibiapina segue viva, inspirando novas gerações e reafirmando o poder da fé e da solidariedade na vida das pessoas.

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João Ribeiro