O Comitê Organizador Local (COL) da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Seul 2027 fez um alerta importante para os fiéis que estão se preparando para a peregrinação à Coreia do Sul. O aviso é sobre a figura de Julia Youn, uma mulher de Naju que tem espalhado relatos de milagres e visões marianas, mas que não são reconhecidos pela Igreja. A nota do COL pede aos peregrinos que tenham cuidado com informações que circulam nas redes sociais, pois muitas vezes estão vinculadas a Julia Youn, e não têm relação com os dados oficiais da JMJ.
A Arquidiocese de Gwangju, que supervisiona a região de Naju, já investigou as alegações de Julia. Após consultar o Dicastério para a Doutrina da Fé, ficou decidido que os fenômenos que ela relata “não têm nada a ver com a verdadeira espiritualidade cristã”. Essa posição já foi reiterada várias vezes e é importante que os fiéis a conheçam para evitar confusões.
O COL também orienta que os peregrinos não visitem o “oratório de Nossa Senhora de Naju” acreditando que é um santuário reconhecido pela Igreja. O mesmo vale para a participação em Missas e outros eventos religiosos realizados nesse local. Na prática, o que costuma acontecer é que muitos fiéis, atraídos pelos relatos de Julia Youn, acabam se decepcionando ao perceber que não há respaldo oficial da Igreja para essas experiências.
Agora, um pouco da história por trás das alegações de Julia Youn. Em 1985, ela afirmou que uma imagem da Virgem Maria havia chorado, e a partir daí, os relatos foram se multiplicando. Julia começou a falar sobre lágrimas de sangue na estátua e até sobre um aroma de rosas que emanava de seu corpo. Com o tempo, ela passou a compartilhar mensagens que dizia ter recebido de Nossa Senhora.
Diante disso, a Arquidiocese de Gwangju criou um comitê de investigação em 1994. Os resultados foram claros: os fenômenos e visões de Julia não puderam ser confirmados como sobrenaturais. Em 1998, a arquidiocese, em conjunto com a Conferência dos Bispos Católicos da Coreia do Sul, emitiu um documento que proibia a publicação de qualquer material relacionado a Julia Youn e a celebração de ritos em locais associados a ela.
Apesar disso, Julia e seus seguidores continuaram a promover atividades, criando confusão entre os fiéis, que acreditavam que a Igreja tinha aprovado o chamado “Milagre de Nossa Senhora de Naju”. Como resposta, a Arquidiocese emitiu vários avisos. Em 2008, foi decretada a excomunhão de qualquer clérigo ou leigo que participasse de sacramentos ou liturgias em locais relacionados a Julia.
Em abril daquele ano, a Congregação para a Doutrina da Fé enviou uma carta apoiando as ações do arcebispo, reafirmando a posição da Igreja. Mais tarde, em 2011, essa decisão foi novamente confirmada. É fundamental que os fiéis estejam bem informados e não se deixem levar por relatos que não têm a devida aprovação da Igreja.