Celular, má postura e sedentarismo aumentam dores na coluna

Os dados recentes da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo mostram um aumento significativo nos atendimentos relacionados a dores lombares e cervicais. Estamos falando de um crescimento de quase 55%! Isso é alarmante e reflete uma preocupação crescente, especialmente em tempos em que passamos horas no celular e adotamos posturas inadequadas.

As causas são variadas, mas o uso excessivo do celular, o sedentarismo e a má postura se destacam. Não é só uma questão de estar mal acostumado; noites de sono ruins e a falta de ergonomia no trabalho, como ficar muito tempo sentado sem fazer pausas, podem agravar ainda mais a situação. Muitas pessoas acabam tratando essas dores como algo normal do envelhecimento ou como consequência do excesso de exercícios. Mas a verdade é que viver com esse desconforto não é saudável.

### O impacto da postura na coluna

Luciano Miller, ortopedista e cirurgião de coluna, explica que a saúde da coluna depende de uma série de fatores que ajudam a prevenir lesões. Quando esses fatores estão ausentes, a coluna acaba sofrendo uma sobrecarga. O uso constante do celular, por exemplo, força a cabeça a ficar em posições que aumentam a carga sobre a coluna cervical. Para se ter uma ideia, em uma inclinação de 45 a 60 graus, o peso que a cabeça exerce pode triplicar. Essa postura prolongada acaba resultando em dor cervical.

O sedentarismo também é um grande vilão. Para a coluna, a falta de atividade física traz consequências sérias. O disco intervertebral, que atua como um amortecedor natural do corpo, não recebe a nutrição necessária se não houver movimento. Com o tempo, isso pode levar a um envelhecimento precoce do disco e, consequentemente, a dores e lesões.

### Sinais de alerta

Muitas pessoas tentam aliviar a dor na coluna com analgésicos, mas é importante ficar atento aos sinais do corpo. Quando a dor se irradia para as pernas, acompanhada de formigamento ou perda de força, é hora de buscar a ajuda de um especialista. Esses sintomas podem indicar problemas mais sérios, como uma hérnia de disco. Miller ressalta que a dor é um sinal de alerta e que, se persistir por mais de duas semanas, é fundamental procurar um médico.

Além disso, existem sinais de complicações que exigem atenção imediata, como dor incapacitante ou perda de sensibilidade na região íntima. Nesses casos, o atendimento deve ser rápido.

### Tratamentos e prevenção

Se a dor se tornar crônica, existem várias abordagens terapêuticas eficazes. O tratamento conservador — que inclui fisioterapia e ajustes de hábitos — costuma resolver a maioria dos casos. Miller afirma que esse tipo de tratamento não significa a ausência de cuidados, mas sim seguir um protocolo bem estruturado, que envolve uma equipe multiprofissional.

Esse trabalho conjunto pode incluir fisioterapeutas, educadores físicos e médicos, todos com o objetivo de promover um tratamento completo e eficaz. A cirurgia só é considerada em casos de compressão dos nervos ou se o tratamento conservador não funcionar após três meses.

### Melhorando a rotina de trabalho

Para quem passa muito tempo sentado, pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença. É essencial ter uma estação de trabalho adequada, com uma cadeira que ofereça suporte lombar e uma altura que permita que os joelhos fiquem em um ângulo de 90 graus. Também é importante que a tela do computador esteja na altura dos olhos para evitar a flexão do pescoço.

Além disso, fazer pausas regulares, pelo menos a cada 40 minutos, e manter uma rotina de exercícios físicos é crucial. Não podemos esquecer de dormir bem — cerca de 8 horas por noite — e cuidar da alimentação para manter um peso saudável. Esses são detalhes que devem ser parte do dia a dia de todos que querem preservar a saúde da coluna.

Sobre o Autor

João Ribeiro