Um grupo de amigos que desejava promover a fraternidade deu origem a um dos maiores eventos da Itália: o Encontro de Rimini. Neste sábado, 22, o Papa Leão XIV fará uma participação especial nesse encontro, que já é uma tradição. Vale lembrar que essa é apenas a segunda vez que um Papa está presente de forma pessoal. A primeira foi em 1982, quando São João Paulo II visitou a região da Emilia-Romagna e abordou temas como a consciência humana e as questões do bem e do mal.
O Encontro de Rimini começou em 1980, fruto da iniciativa de leigos católicos da Comunhão Popular italiana. A ideia era criar um espaço de amizade, onde se pudesse trabalhar pela paz e pela convivência entre as pessoas. Agora, o evento já está na sua 47ª edição e acontece anualmente, sempre com a proposta de promover o diálogo e a solidariedade.
O amor que transforma
Neste ano, o tema do encontro é “O amor que move o sol e as outras estrelas”. Essa frase, retirada da famosa Divina Comédia de Dante Alighieri, nos leva a refletir sobre o que realmente nos motiva na vida. O padre Luiz Sleutjes, que é doutor em Teologia Moral e atua na Diocese de São Carlos, em São Paulo, destaca que muitas pessoas são guiadas por sentimentos como medo, ambição ou competição. No entanto, ele ressalta a importância do amor, como ensinado pelo Papa Francisco.
O Papa fala de um amor que não se limita ao âmbito privado, mas se expande para um amor social que transforma a maneira como olhamos para quem sofre. Para o padre Luiz, isso significa entender que o amor pode se manifestar em ações concretas, como cuidar do próximo e assumir responsabilidades. É um amor que nos aproxima e nos faz agir com empatia.
A fraternidade em tempos difíceis
Na sua reflexão, padre Luiz também menciona a encíclica “Fratelli Tutti”, onde o Papa Francisco fala sobre a fraternidade. Ele observa que vivemos num paradoxo: estamos mais conectados digitalmente do que nunca, mas, ao mesmo tempo, muitas vezes nos sentimos distantes uns dos outros no mundo real. O Papa propõe a ideia do bom samaritano, que nos convida a ver o outro não como um rival, mas como um irmão. Esse reconhecimento da dignidade humana é fundamental para construirmos uma sociedade mais justa.
O sacerdote explica que o conceito de fraternidade deve se estender além de laços familiares, alcançando nações e gerações. É através desse entendimento que conseguimos promover a justiça social e construir um mundo melhor.
Caminhos para a paz
Outro ponto importante que padre Luiz destaca é a questão da guerra, um tema muito presente atualmente. Ele acredita que o Encontro de Rimini traz ensinamentos valiosos que se conectam com os princípios da “Fratelli Tutti”. Para ele, a paz não surge apenas de acordos diplomáticos ou tratados, mas de um processo mais amplo que envolve cultura, educação e relacionamentos do dia a dia.
Ele ressalta que reconhecer o outro como um ser humano e não como um inimigo é essencial. A guerra, segundo ele, “esconde o rosto do outro” e atenta contra a dignidade humana. A paz, por sua vez, é um dom divino, e o ser humano é o instrumento que pode contribuir para que ela se realize. O Encontro de Rimini é visto como uma oportunidade para reavaliar nossas relações enquanto humanidade, promovendo um espaço de diálogo e reconexão.