A memória de Santa Maria Rainha é celebrada pela Igreja no dia 22 de agosto. Esse título reflete a missão única da Mãe de Deus na história da salvação. Mas, ao contrário do que muitos podem pensar, a realeza de Maria não se relaciona com poder ou domínio. Na verdade, ela está intimamente ligada a Cristo e se expressa por meio do serviço, da maternidade e da proximidade com aqueles que pedem sua intercessão.
De acordo com o teólogo Irmão Afonso Murad, o título de Rainha não aparece diretamente na Bíblia. No Novo Testamento, Jesus é apresentado como Rei e é quem inaugura o Reino de Deus, que é marcado pelo perdão, acolhimento e amor aos pobres e pecadores. Ele enfatiza que “Jesus é aquele que traz o Reino de Deus e é o próprio Reino acontecendo”.
A Humildade de Maria
Nos Evangelhos, Maria não se vê como rainha. Quando o anjo lhe faz o anúncio, ela se define como “a serva do Senhor” (Lc 1,38). Para Irmão Murad, essa atitude é fundamental para entender sua realeza. Ele explica que “é uma realeza do serviço e da bondade”. Essa realeza depende da de Jesus, e não o contrário. Maria participa da realeza de Cristo porque é sua mãe, discípula e acolheu a ação de Deus com total entrega. Por isso, toda verdadeira devoção a Maria deve levar a Jesus.
A Evolução da Devoção Mariana
A ideia de Maria como Rainha foi se formando ao longo da história da Igreja. À medida que o cristianismo se estabelecia no Império Romano, a imagem de Maria coroada começou a aparecer com mais frequência. No século XI, surgiu a oração “Salve Rainha”, que já a chamava de “Mãe de misericórdia”. Com o tempo, sua coroação foi incluída entre os mistérios do Rosário. O título ganhou uma celebração especial em 1954, quando o Papa Pio XII instituiu a festa por meio da encíclica Ad Caeli Reginam. Inicialmente celebrada em 31 de maio, após a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, a data foi transferida para 22 de agosto, oito dias depois da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora.
Essa proximidade entre as duas celebrações é significativa. Para Irmão Murad, a realeza de Maria está ligada à sua participação na glória de Cristo. Ele explica que “é uma extensão da glória que é dada a Maria, que já está junto de Jesus”.
Maria como Mãe e Intercessora
Mais do que o título de Rainha, a espiritualidade católica vê Maria como uma Mãe na fé, alguém que acompanha os discípulos e intercede por seus filhos. Irmão Murad destaca que “Maria é nossa mãe na fé e por isso podemos recorrer a ela para pedir e agradecer”. Essa maternidade é o que explica a confiança de tantos fiéis que a procuram em momentos de dor, necessidade ou alegria.
Ele faz uma bela comparação com a rainha Ester, que, diante do rei, pediu pela vida do seu povo. “Maria quer a vida plena, espiritual, material, humana, psicológica, integral, de todos os seus filhos”, afirma.
Dizer “Sim” a Deus
A devoção a Maria Rainha nos leva a refletir sobre como permitir que Nossa Senhora reine em nossas vidas. A resposta está no caminho que a própria Virgem percorreu: escutar a Palavra de Deus, confiar, servir e permanecer ao lado de Jesus. Irmão Murad ressalta que “o centro da nossa fé é Jesus, não Maria”. Assim, quanto mais autêntica for a devoção a Maria, mais ela levará os fiéis a se aproximarem de Cristo.
Deixar Maria reinar em nossa vida é aprender com ela a dizer “sim” a Deus, acolher quem sofre e permanecer firme em Cristo nas dificuldades. “Podemos recorrer a Maria com alegria e simplicidade, porque ela é nossa mãe, entende nossas dores e deseja que sejamos felizes no seguimento de Jesus”, conclui.