Papa revisa regras para Igrejas patriarcais orientais

Recentemente, o Papa Leão XIV lançou um Motu Proprio chamado “Mutua Concordia”, que traz novidades importantes para as Igrejas Orientais. Essa carta, publicada no último sábado, 29, altera alguns cânones do Código das Igrejas Orientais e busca fortalecer a relação entre os patriarcas e os bispos que compõem os Sínodos. A ideia central é promover uma união mais sólida e harmoniosa, essencial para a vida eclesial.

Na prática, o que se busca com essa mudança é garantir que a escolha do Patriarca e o seu trabalho ministerial reflitam uma verdadeira colaboração entre os membros do Sínodo. O Papa enfatiza que essa “mútua concordância” é fundamental para a comunhão da hierarquia das Igrejas Orientais. De acordo com ele, o Sínodo dos Bispos é o espaço ideal para decidir sobre a eleição do Patriarca, mostrando a importância da colegialidade nesse processo.

Uma das novidades que chama a atenção é o novo procedimento para a remoção de um Patriarca. Se, por algum motivo, o Patriarca não aceitar deixar o cargo quando solicitado pelo Sínodo, o bispo mais antigo por ordenação episcopal, que tenha direito a voto, deverá liderar a eleição de um novo presidente do Sínodo. A proposta de remoção terá que ser aprovada por pelo menos dois terços dos votos dos bispos presentes. É importante notar que o Patriarca terá o direito de se defender durante esse processo, e a decisão final ainda dependerá da aprovação do Papa.

Outro ponto interessante é a nova regra sobre a convocação do Sínodo. Se o Patriarca não cumprir suas obrigações em relação a isso, o bispo mais antigo poderá convocar a assembleia. Caso ele também não o faça, essa responsabilidade passará aos bispos seguintes na ordem de antiguidade. Isso é uma forma de garantir que o funcionamento do Sínodo não fique comprometido por omissões.

Com o “Mutua Concordia”, Leão XIV busca dar uma nova roupagem à autonomia das Igrejas patriarcais orientais, ao mesmo tempo que respeita a autoridade da Sé Apostólica. A nova legislação já está em vigor e coloca a comunhão entre os bispos, a responsabilidade compartilhada e a sinodalidade como pilares do funcionamento da Igreja. Ao final, a intenção é que todos possam “cantar em uma só voz”, como disse o Papa, reforçando a unidade dentro da diversidade das tradições orientais.

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João Ribeiro