ONU aponta aumento da fome global devido a conflitos armados

Durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, o secretário-geral António Guterres trouxe à tona um assunto alarmante: a fome no mundo, que está se agravando por conta das guerras. Segundo dados da Organização das Nações Unidas, mais de 266 milhões de pessoas enfrentam a falta de comida. Esse panorama é ainda mais preocupante considerando que os conflitos armados estão em níveis recordes desde a Segunda Guerra Mundial.

A guerra não só destrói os meios de produção de alimentos, mas também aumenta a vulnerabilidade das populações afetadas, criando um ciclo vicioso de violência e insegurança alimentar. Um detalhe que costuma passar despercebido é que, entre os 13 locais críticos identificados pela ONU, a maioria das crises alimentares está diretamente ligada a conflitos.

Guterres ressaltou que “a melhor proteção contra a insegurança alimentar é a paz, e a condição mais segura para a paz é um mundo sem fome”. Essa afirmação reflete uma realidade dura: a guerra tem impactos diretos e indiretos na capacidade das pessoas de se alimentarem adequadamente.

Consequências da Guerra

Os efeitos das guerras vão muito além das fronteiras dos países em conflito. Por exemplo, no Mar Negro e no Estreito de Ormuz, os custos de energia, fertilizantes e alimentos estão subindo, enquanto a ajuda humanitária se torna cada vez mais escassa. Na Somália, muitos agricultores estão sendo forçados a deixar suas terras; no Sudão, mercados estão sendo atacados com drones e mísseis; e no Haiti, gangues criminosas isolam comunidades inteiras.

Além disso, profissionais humanitários enfrentam dificuldades para alcançar as pessoas necessitadas em lugares como Gaza, Mali e Mianmar. Guterres alertou que os sistemas alimentares e as vidas que dependem deles estão sob constante ataque. Fazendas, mercados, portos e rotas marítimas se tornaram alvos em conflitos, e as consequências econômicas se espalham além das áreas afetadas diretamente pela guerra.

Os ataques a navios mercantes, por exemplo, têm interrompido o tráfego no Mar Vermelho. As tensões no Estreito de Ormuz afetam rotas vitais para o comércio global, o que inclui um quinto do abastecimento mundial de petróleo e um terço dos fertilizantes. Essa situação está gerando um aumento nos custos de combustível, afetando negativamente a irrigação, o transporte e o processamento de grãos. Além disso, as interrupções nas exportações de fertilizantes colocam em risco as safras futuras na África e na Ásia.

A guerra não só destrói meios de subsistência, mas também desloca populações. Isso torna as comunidades mais vulneráveis ao recrutamento por grupos armados e redes criminosas, perpetuando um ciclo de violência e pobreza. Essa realidade é um lembrete de que a paz e a segurança alimentar andam de mãos dadas.

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João Ribeiro