A Câmara dos Comuns do Reino Unido está se preparando para discutir novamente um projeto de lei sobre suicídio assistido. A votação está agendada para amanhã, 11 de setembro, e promete gerar bastante debate. Essa proposta foi apresentada pela deputada trabalhista Lauren Edwards em junho e é bem parecida com um projeto anterior, que não avançou na Câmara dos Lordes em 2026 após receber muitas emendas.
Nos últimos dias, representantes da Igreja Católica na Inglaterra e no País de Gales têm se manifestado contra a proposta. O arcebispo de Liverpool, John Sherrington, por exemplo, não poupou palavras ao descrever o projeto como “falho e perigoso”. Ele enfatizou a necessidade de que pessoas de boa vontade se mobilizem contra essa ideia, destacando que permitir que profissionais de saúde ajudem a encerrar vidas não é certo.
Um ponto importante que o arcebispo levantou é a insegurança que essa legislação pode trazer para os mais vulneráveis. Ele argumentou que a proposta não oferece as salvaguardas necessárias para proteger pessoas com deficiência, transtornos alimentares ou que são vítimas de violência doméstica. Além disso, especialistas em saúde mental e entidades como o Royal College of Psychiatrists e a British Medical Association também expressaram preocupações semelhantes quanto à falta de proteção adequada para esses grupos.
Outro aspecto que preocupa é o direito à objeção de consciência. O arcebispo Sherrington mencionou que o projeto não permite que instituições, como hospices e casas de repouso, se recusem a participar desse tipo de prática, o que geraria mais controvérsias. Além disso, ele citou experiências de outros países que mostraram que a legalização do suicídio assistido pode prejudicar os cuidados paliativos, tornando-os menos acessíveis e de menor qualidade.
O bispo de Portsmouth, Philip Egan, também se manifestou, chamando o projeto de “perigosamente falho”. Egan alertou para o risco de que, com a aprovação do projeto, mais grupos de pessoas acabem se tornando elegíveis para o suicídio assistido, ampliando o escopo da lei de maneira preocupante. Ele citou o exemplo do Canadá, onde já se observa um aumento significativo nas mortes por injeção letal.
Por último, o bispo de Hexham e Newcastle, Stephen Wright, reiterou sua oposição ao projeto, afirmando que a vida é um dom de Deus e que cada pessoa merece respeito e dignidade. Para ele, a proposta falha em proteger os mais vulneráveis e é desnecessária, além de moralmente errada. Essas vozes refletem um debate complexo e sensível que está em andamento no Reino Unido, envolvendo questões éticas e de saúde pública que afetam toda a sociedade.