O Papa Leão XIV se encontrou com os participantes do Encontro “Fratelli tutti: Diálogo socioambiental Norte-Sul”, que aconteceu em Roma. O evento, promovido por diversas organizações, como o Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam) e a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, contou com a presença de cerca de 60 representantes de diferentes áreas, incluindo eclesiais, sociais e acadêmicas. Entre os presentes, estavam os cardeais brasileiros Jaime Spengler e Leonardo Steiner.
Durante seu discurso, o Papa falou sobre a importância do diálogo entre o Norte e o Sul e como essa troca tem se desenvolvido nos últimos cinco anos. Ele destacou que os desafios que enfrentamos hoje são tão grandes que nenhum grupo pode resolvê-los sozinho. Para ele, a colaboração é essencial e a responsabilidade deve ser compartilhada entre todos os setores da sociedade. O Papa também lembrou que as diferenças não devem causar divisões, mas sim servir como base para um entendimento que beneficie a todos.
Leão XIV fez questão de encorajar os participantes, dizendo que não devemos ter medo das tensões que podem surgir em um diálogo. Ele citou que essa é uma mensagem que seus antecessores já transmitiram em momentos cruciais da Igreja. O Santo Padre afirmou que, mesmo diante de discordâncias, é possível encontrar forças criativas quando se trabalha em conjunto e com responsabilidade.
Ele trouxe à tona a Doutrina Social da Igreja como uma ferramenta importante nesse processo. Segundo o Papa, essa doutrina não se resume a regras rígidas, mas sim a um processo contínuo de discernimento que deve guiar as decisões tomadas. Ele enfatizou que essas decisões devem sempre respeitar a dignidade humana e o bem comum.
Outro ponto que o Papa destacou foi a necessidade de olhar para os mais vulneráveis. Ele explicou que o verdadeiro valor das decisões não deve ser medido apenas pelo número de apoiadores, mas sim pelo impacto que elas têm na vida das pessoas que menos têm. Para ele, uma sociedade é considerada justa quando todos, especialmente os mais frágeis, têm a oportunidade de viver com dignidade.
Na parte final de seu discurso, Leão XIV fez uma analogia com a figura bíblica de Neemias, que, ao ver Jerusalém em ruínas, se uniu ao seu povo para reconstruí-la. Ele incentivou os participantes a se envolverem ativamente nas “obras da história”, seja em pesquisas, tecnologia, educação ou comunicação. O Papa também falou sobre a importância de cultivar uma “cultura da negociação”, onde o bem comum prevaleça sobre interesses individuais.
A mensagem final foi clara: cada um tem um papel a desempenhar nesse esforço conjunto. O Papa chamou todos a reconhecerem a parte que lhes cabe na construção de um futuro melhor, onde o progresso não deixe ruínas para trás, mas sim crie um abrigo acolhedor para todos, especialmente para os que mais precisam.