Mais de 2 bilhões de pessoas ao redor do mundo vivem sem acesso a água potável. Essa é uma realidade alarmante que chamou a atenção do Papa Leão XIV, que, em seu pedido mensal de orações, destacou a importância de uma gestão justa e sustentável desse recurso tão vital. Ele pediu aos fiéis que rezem para que todos possam ter igual acesso à água, um direito fundamental.
De acordo com dados da ONU, no Brasil, cerca de 33 milhões de pessoas enfrentam essa dificuldade. É um número que não pode ser ignorado. A água é tratada na Doutrina Social da Igreja e na encíclica Laudato Si’ como um bem comum, essencial para a vida. Luciano Rodolfo de Moura Machado, especialista em Ecologia Integral, menciona que a água é muito mais do que um recurso: ela é um elemento sagrado, ligado à espiritualidade e à manutenção da vida.
Ele explica que a água está presente em várias dimensões da vida, desde o cuidado do corpo até a vivência da espiritualidade. Um detalhe que costuma passar despercebido é que a água não deve ser vista apenas como um produto a ser comprado, mas como um bem acessível a todos. Infelizmente, em muitas regiões, há uma grande disparidade: enquanto algumas áreas desperdiçam água, outras enfrentam escassez severa e falta de saneamento básico.
Essa diferença levanta questões importantes sobre as barreiras éticas e políticas que dificultam o acesso à água. Machado ressalta que a mentalidade de meritocracia, comum em nossa sociedade, contribui para essa visão distorcida. Em vez de encararmos a água como um direito, muitas vezes ela é tratada como uma mercadoria, o que gera uma luta desigual pelo acesso.
O Papa enfatiza a necessidade de uma “gestão justa e sustentável” da água. Para isso, é fundamental que governos, empresas e a sociedade civil trabalhem juntos. O governo deve assumir a responsabilidade de gerenciar a água como um bem coletivo, e uma maneira eficaz de fazer isso é através da participação social nos Comitês de Bacias Hidrográficas. Nesses espaços, todos podem discutir a qualidade e a disponibilidade da água em suas comunidades, além de incentivar ações para sua preservação.
A educação ambiental também desempenha um papel crucial. Pastorais e movimentos podem se engajar em iniciativas práticas, como o plantio de árvores e mutirões de limpeza de rios. Por exemplo, a Pastoral da Ecologia Integral em São Paulo oferece um curso chamado “Água: Fonte de Vida”, que visa formar líderes e promover a conscientização sobre a importância dos recursos hídricos.
É importante que os fiéis traduzam o pedido do Papa em ações concretas no dia a dia. O consumo consciente e o combate ao desperdício são passos que todos podemos dar. Pequenas atitudes, como tomar banhos mais curtos ou reutilizar a água da máquina de lavar, fazem diferença. No entanto, também é essencial que as pessoas se tornem cidadãs ativas, acompanhando e fiscalizando as políticas públicas relacionadas ao meio ambiente.
Por fim, Machado nos lembra que é fundamental agradecer pelo dom da água. Quando vemos a água como uma “irmã na criação”, segundo São Francisco de Assis, nos tornamos mais capazes de cumprir o mandamento de amar o próximo e cuidar dos que mais precisam.