Fazer menos e com mais qualidade no dia a dia

O Papa Leão XIV presidiu a Assembleia da Diocese de Roma na última sexta-feira, na Basílica de São João de Latrão. Durante a cerimônia de abertura, ele trouxe à tona um momento marcante da Páscoa, quando Maria Madalena encontra Jesus ressuscitado em um jardim. Ele fez questão de lembrar que, assim como ela, muitos de nós buscamos respostas em momentos de tristeza e incerteza. Maria escuta o nome dela sendo chamado, e isso a faz virar e reconhecer o Senhor. Essa ideia de ser chamada pelo nome teve um peso especial na mensagem que o Papa compartilhou.

O Papa destacou que em Roma, há um espírito de renovação. Muitas pessoas e comunidades estão se reerguendo a cada manhã, envolvidos em evangelização e serviço. Mas também existem desafios, como o desânimo de quem se sente distante de Deus. Ele reconheceu que, em meio a tantas atividades, é fácil perder de vista o propósito maior do que fazemos. A essência do trabalho pastoral deve começar com a pergunta de quem estamos buscando e como podemos encontrar Cristo, não apenas com o que devemos fazer.

Leão XIV enfatizou que não estava ali para apresentar um novo programa, mas para propor uma reflexão mais profunda. Ele falou sobre a importância de reconhecer as “doenças espirituais” que afetam a vida da Igreja e como o Caminho Sinodal trouxe a lição de que ouvir e discernir juntos é fundamental. Ele convidou todos a fazer uma “verificação pastoral”, um momento para parar, refletir e entender o que tem dado certo e o que precisa ser ajustado.

Para essa verificação, o Papa sugeriu alguns pontos importantes. O primeiro é encontrar Cristo e ajudar os outros a fazer o mesmo. Ele lembrou que a Igreja existe para guiar cada pessoa a esse encontro. O segundo ponto é a formação de comunidades que sejam verdadeiramente unidas e acolhedoras. E o terceiro, fundamental, é o papel da Igreja na cidade, que não pode ser vista como um cenário indiferente, mas como um espaço de missão.

O Papa também falou sobre a necessidade de um método de escuta e discernimento que não sobrecarregue o pároco, mas que o ajude a construir comunhão e conectar as pessoas. Ele relembrou a figura do Padre Luigi Di Liegro, que sempre buscou entender a realidade ao seu redor, destacando que o discernimento deve ser uma pergunta constante: “Senhor, onde você está?”.

O Papa mencionou que as comunidades não devem depender apenas do pároco, mas sim se fortalecer através da colaboração e do reconhecimento das energias de cada um. É essencial que o presbitério funcione como uma fraternidade, onde se possa verificar se as ações realmente estão gerando comunhão.

Para os seminaristas, o Papa deixou um recado: é crucial aprender não apenas com os livros, mas também com as experiências de vida das pessoas, especialmente dos mais necessitados. Ele acredita que essa prática vai ajudar a construir um caminho comum que nos prepare para o Jubileu da Redenção de 2033.

Leão XIV encerrou sua fala de forma acolhedora, incentivando todos a se deixarem chamar pelo nome, assim como Maria Madalena fez. Ele encorajou a coragem de buscar a presença de Deus, mesmo em momentos difíceis. Que a proteção da Mãe de Deus continue a guiar todos nesse caminho.

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João Ribeiro