Viagem do Papa pode trazer novo dinamismo para a fé

A viagem do Papa Leão XIV à França, que começou na última sexta-feira, dia 25, tem gerado uma grande expectativa. O Cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, comentou sobre essa jornada em uma entrevista. Ele expressou a esperança de que essa visita traga um novo impulso — um verdadeiro “canteiro de obras” onde pessoas de diferentes crenças possam se unir e agir em prol da paz.

O que o mundo precisa?

O lema da viagem é “Para que o mundo tenha vida”, e Parolin abordou três aspectos fundamentais que o mundo precisa. O primeiro é a dimensão natural. O cardeal ressaltou a importância de valorizar a vida humana em todas as suas fases, desde a concepção até a morte natural. Ele observou que, atualmente, muitos lugares têm adotado práticas que desconsideram esse valor. Com a queda da taxa de natalidade na Europa, essa viagem serve como uma oportunidade para redescobrir a vida como um presente que deve ser acolhido com gratidão e responsabilidade.

A segunda dimensão mencionada é a espiritual. Parolin destacou que a França hoje tem um número crescente de catecúmenos, tanto jovens quanto adultos, o que evidencia a sede por vida espiritual que muitas pessoas sentem. Isso pode ser um sinal de renovação e busca por significado em meio a um mundo tão agitado.

Por fim, o cardeal comentou sobre a restauração da catedral de Notre-Dame, que representa a capacidade humana de criar e reconstruir. Em uma era dominada pela tecnologia, essa obra simboliza a vitalidade e a criatividade do ser humano.

A importância do diálogo e da educação

Parolin também falou sobre a necessidade de mudar a “cultura do poder” para uma “cultura da negociação”, uma ideia que aparece na encíclica Magnifica Humanitas do Papa. Ele enfatizou que a política deve construir instituições justas e buscar soluções diplomáticas para os conflitos. A educação e a cultura são fundamentais nesse processo, pois ajudam a formar pessoas que reconhecem a humanidade do outro, em vez de vê-lo como um inimigo.

A Igreja, segundo o cardeal, tem um papel essencial nesse cenário. Ela deve educar para o diálogo, construir pontes e dar voz a quem muitas vezes é silenciado. O objetivo é criar um espaço onde diferentes culturas e pessoas possam se encontrar, ouvir e se respeitar como filhos de Deus.

Paz como construção coletiva

Parolin reiterou que a paz não é apenas um equilíbrio de forças ou uma estabilidade temporária. Ele destacou que uma paz verdadeira e duradoura se constrói sempre com o outro, e não contra ele. A França, de acordo com ele, tem um papel importante em honrar seus ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, contribuindo para um esforço coletivo de harmonia na Europa.

Lugares de esperança: Lourdes e Metz

Durante a viagem, o Papa também visitará Lourdes, um local de grande significado para os católicos e pessoas de diversas crenças que buscam conforto e esperança. Parolin disse que Lourdes é um símbolo da unidade da humanidade, onde todos podem encontrar consolo em Maria, uma figura materna que escuta e acolhe.

Em Metz, o cardeal ressaltou a importância da “fraternidade cristã”, um conceito que promove o respeito e o amor ao próximo. Ele acredita que os esforços pela paz só serão eficazes se todos reconhecerem que a Europa é um corpo que deve trabalhar em conjunto, em vez de se fragmentar em divisões.

O cardeal finalizou sua reflexão desejando que essa viagem inspire um novo dinamismo, onde crentes e não crentes possam se unir em ações concretas por um mundo melhor.

Sobre o Autor

João Ribeiro