No último domingo, 11 de setembro, o Papa Leão XIV compartilhou com os fiéis que passaria por uma cirurgia para remover um nódulo no pulmão. A operação ocorreu na terça-feira, 12, e uma biópsia rápida revelou que se tratava de um adenocarcinoma pulmonar, um tipo comum de câncer de pulmão. Para entender melhor essa situação, conversamos com o doutor Marcelo Corassa, oncologista e pesquisador do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.
O que é o adenocarcinoma de pulmão?
O adenocarcinoma de pulmão é o tipo mais frequente de câncer nesse órgão, afetando tanto fumantes quanto pessoas que nunca tocaram em um cigarro. Embora o tabaco seja o principal fator de risco, esse câncer pode surgir em quem nunca fumou. Na prática, se um paciente que nunca fumou é diagnosticado com câncer de pulmão, a chance de ser um adenocarcinoma é bastante alta.
Geralmente, o processo diagnóstico envolve uma série de exames, como tomografias e PET scans, que ajudam a identificar a presença de algo maligno no pulmão. Dependendo da situação, os médicos podem optar por fazer uma biópsia antes da cirurgia ou, quando a suspeita é muito forte, partir direto para a operação. No caso do Papa, a decisão foi pela cirurgia, e isso pode indicar que ele estava em boa saúde, já que foi realizada uma lobectomia, que é a remoção de um pedaço do pulmão.
O que vem a seguir no tratamento?
O próximo passo no tratamento do Papa dependerá dos resultados da cirurgia. Durante a operação, um patologista fez uma biópsia congelada, que revelou o diagnóstico de adenocarcinoma. Agora, o tecido retirado passará por uma análise mais detalhada para verificar o tamanho do tumor e se há envolvimento de gânglios linfáticos, que são estruturas próximas ao coração.
Se a análise mostrar que o tumor é maior do que o esperado ou que há comprometimento dos gânglios, pode ser necessário um tratamento complementar, como quimioterapia ou imunoterapia. No entanto, se o tumor for pequeno e não houver comprometimento, a cirurgia pode ser suficiente e ele poderá retomar suas atividades normais rapidamente.
Por que a cirurgia foi a primeira opção?
É raro começar o tratamento diretamente com cirurgia, pois geralmente há uma fase prévia com quimioterapia, imunoterapia ou radioterapia. Mas, quando o tumor é pequeno e o paciente não parece precisar de tratamento adicional, os médicos podem optar pela cirurgia logo de cara. No caso do Papa, a suspeita era de um tumor no estágio inicial, que poderia ter sido descoberto em exames de rotina, como uma tomografia.
O histórico familiar influencia o diagnóstico?
Um histórico familiar de câncer pode, sim, aumentar as chances de um diagnóstico. É comum que, durante a primeira consulta, médicos perguntem sobre a história de doenças na família. Mesmo que não haja uma condição genética específica, a presença de câncer na família pode indicar uma predisposição, fazendo com que exames mais rigorosos sejam considerados.
Como interpretar o diagnóstico do Papa?
Na visão do doutor Corassa, o diagnóstico não é uma notícia triste. Se o câncer foi detectado em um estágio inicial, há uma boa probabilidade de cura. A preocupação com a saúde é sempre válida, especialmente para grupos com maiores riscos, como os fumantes. É importante lembrar que, embora o câncer de pulmão não seja uma epidemia, ele está relacionado a fatores como hábitos de vida e poluição do ar. Para o Papa, a expectativa é positiva e, se tudo correr bem, ele deve se recuperar logo.