Cardeal Aveline clama por paz e fim da violência na França

O arcebispo de Marselha, Cardeal Jean-Marc Aveline, fez um apelo emocionante por paz, após dias de tumultos que abalaram a França. Ele descreveu a violência atual como “inaceitável” e pediu que as pessoas não se deixem levar por essa onda de agressões. “Junto com todos os fiéis, estamos rezando para que esses distúrbios cessem e a paz possa retornar”, disse ele em uma declaração divulgada no site da Arquidiocese de Marselha.

O cenário em várias cidades, especialmente na capital, é preocupante. O cardeal destacou que, além das manifestações pacíficas, houve saques em lojas, vandalismo em igrejas e ataques a delegacias de polícia. “Nosso país merece algo melhor”, afirmou Aveline, expressando solidariedade às vítimas desses atos. Ele também incentivou a oração pela paz, enfatizando que “nossa cidade e nosso país merecem algo melhor do que isso”.

Em Lyon, o arcebispo Olivier de Germay compartilhou sentimentos similares. Em uma postagem nas redes sociais, ele mostrou apoio a comerciantes e agentes de segurança que sofreram com os excessos. Ele destacou que a violência que ocorreu vai além do que poderia ser considerado uma manifestação legítima. “O que estamos vendo é um sinal de uma sociedade que está sofrendo”, disse ele. Germay também ressaltou que a violência não é o caminho para que as reivindicações sejam ouvidas, alertando que isso só gera mais injustiça e divisão.

Enquanto isso, o governo francês reconheceu falhas na gestão da situação. O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, admitiu que as autoridades não conseguiram controlar os tumultos e expressou seu apoio ao ministro do Interior, Laurent Nuñez. Este último havia até considerado pedir demissão, mas o presidente Emmanuel Macron rejeitou seu pedido. Macron, em um pronunciamento, falou sobre a “raiva e a vergonha” sentidas pela população e pediu unidade entre as forças políticas.

Os danos causados pelos tumultos são alarmantes. O presidente da rede de Câmaras de Comércio e Indústria da França estimou que mais de 2.000 lojas foram vandalizadas, resultando em prejuízos que podem chegar a centenas de milhões de euros.

Os protestos continuaram na manhã de 19 de outubro, com manifestantes bloqueando a entrada do Louvre, em Paris, em solidariedade aos estudantes do ensino médio. Durante o fim de semana, novos saques e atos de violência ocorreram, com mais de 30 lojas sendo alvo de ataques. O número total de detenções desde o início dos distúrbios já ultrapassa 2.300.

Por fim, o grupo dos “Coletes Amarelos” anunciou que um novo ato de protesto está programado para o dia 24 de outubro, mostrando que a agitação social ainda está longe de acabar.

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João Ribeiro