Igreja relembra a santidade do anonimato

Neste domingo, 1º de novembro, celebramos a Solenidade de Todos os Santos, um momento especial em que a Igreja lembra não só os santos reconhecidos oficialmente, mas também essa multidão de homens e mulheres que viveram a santidade de forma discreta e agora estão ao lado de Deus. É um convite para refletirmos sobre a santidade no nosso dia a dia.

O padre Wagner Souza, da Catedral de São Francisco Xavier, na Diocese de Itaguaí (RJ), destaca que essa solenidade é como uma grande celebração da “família de Deus” que já se encontra no céu. Ele menciona que os bem-aventurados são aqueles que receberam a recompensa justa por suas boas ações, pela caridade que praticaram e pela verdade que viveram enquanto estiveram aqui na Terra.

Uma parte interessante dessa celebração é a lembrança de que nem todos os santos têm seus nomes conhecidos ou suas histórias reconhecidas publicamente. Padre Wagner cita uma passagem do livro do Apocalipse, onde São João vê “uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas”, uma imagem que nos lembra que existem muitas pessoas que responderam ao chamado de Deus de maneira discreta, fazendo o bem e amando o próximo. “Esses são aqueles que vivem a santidade de forma oculta, buscando agradar a Deus e fazer o bem aos outros”, comenta.

O conceito de santidade vai muito além dos que são canonizados. O Papa Francisco fala sobre os “santos da porta ao lado”, que são aquelas pessoas comuns que buscam viver o Evangelho nas pequenas coisas do dia a dia. O padre Wagner menciona exemplos como mães que oram por filhos doentes ou pessoas que tentam viver a fé nas relações familiares, no trabalho e na educação. Para ele, a verdadeira santidade está em ir além das aparências e transformar a rotina em um caminho de amor e bondade.

A santidade não é algo reservado a poucos escolhidos. O sacerdote lembra que, segundo a Primeira Carta aos Tessalonicenses, a vontade de Deus é a santificação de todos os fiéis. “Se Deus deseja isso de nós, é porque é possível”, afirma padre Wagner, citando também Santa Teresinha, que ensinou que Deus não coloca em nossos corações desejos impossíveis.

Mas como podemos transformar nosso cotidiano em um caminho de santidade? O primeiro passo, segundo o padre, é conhecer Jesus através dos Evangelhos e entender que a fé envolve segui-Lo em nossas ações diárias. Não é necessário realizar grandes feitos; pequenas atitudes já fazem a diferença. “Oferecer um copo d’água, ouvir alguém com atenção, visitar um doente. Tudo isso é significativo e agrada a Deus se feito com amor e sinceridade”, conclui.

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João Ribeiro