Ataque no norte da Nigéria deixa 9 cristãos mortos

Na noite de terça-feira, dia 16, uma tragédia marcou a comunidade de Angwa Magaji, no estado de Kaduna, no norte da Nigéria. Pelo menos nove cristãos perderam a vida e outros 11 ficaram feridos em um ataque realizado por homens armados, que supostamente são pastores fulanis. Segundo relatos de moradores, os agressores invadiram a aldeia durante a noite, trazendo medo e desespero para a população local.

Os líderes cristãos na Nigéria têm alertado que esses ataques não são casos isolados. Eles acreditam que há uma tentativa sistemática de ocupar terras que pertencem a comunidades cristãs e de expandir a influência islâmica na região. Com a desertificação avançando, a disputa por território se intensifica, já que muitos pastores estão sendo forçados a buscar novas áreas para seus rebanhos. Isso cria um cenário tenso, especialmente nas regiões onde a população cristã é mais expressiva.

Infelizmente, a situação na Nigéria é alarmante. Relatórios indicam que milícias extremistas fulanis têm atacado comunidades agrícolas, resultando na morte de centenas de pessoas, com um foco especial nos cristãos. Além disso, grupos jihadistas como Boko Haram e o Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP) estão ativos nos estados do norte, onde a presença do governo é limitada. Nesses locais, a violência se manifestou de várias formas, incluindo assassinatos e sequestros, que têm se tornado cada vez mais frequentes.

Os fulanis, que são em sua maioria muçulmanos, representam milhões de pessoas na Nigéria e no Sahel, e são divididos em diversos clãs. Apesar de muitos não terem visões extremistas, há um grupo que adota uma ideologia radical que os leva a atacar comunidades cristãs. Um relatório do Grupo Parlamentar Multipartidário para a Liberdade Internacional de Crença do Reino Unido destacou essa estratégia, comparando-a à do Boko Haram e do ISWAP. Essa situação gera preocupações sobre a segurança e a liberdade religiosa na região.

De acordo com a Lista Mundial da Perseguição de 2026, da Portas Abertas, a Nigéria se destaca como o país com o maior número de cristãos mortos por causa de sua fé. Entre outubro de 2024 e setembro de 2025, 3.490 cristãos nigerianos foram assassinados, o que representa 72% do total global. Isso é um aumento em relação ao ano anterior e coloca o país na sétima posição entre os 50 lugares mais perigosos para ser cristão. A violência, que antes era mais concentrada no norte, agora avança também para os estados do sul, refletindo uma preocupação crescente com a segurança das comunidades religiosas.

Além disso, novos grupos armados, como o Lakurawa, têm surgido, trazendo mais incertezas. Esse grupo é descrito como bem equipado e alinhado a uma agenda islâmica radical, mantendo laços com organizações terroristas já conhecidas, como a Jama’a Nusrat ul-Islam wa al-Muslimin, originária do Mali. Na prática, isso não só agrava a situação de insegurança, mas também coloca em risco a convivência pacífica entre as diversas comunidades que habitam a Nigéria.

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João Ribeiro