Na Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, o Papa teve um momento especial ao impor o pálio aos arcebispos metropolitanos que foram nomeados nos últimos doze meses. Dentre eles, estavam quatro arcebispos brasileiros, o que trouxe um brilho particular à cerimônia.
Durante a missa, o Papa fez um pedido tocante: “Rezemos a São Pedro e São Paulo para que nos apoiem no caminho da comunhão, seguindo as pegadas do Salvador.” Ele ressaltou a importância desses dois santos, que são considerados colunas da Igreja. A tradição dessa celebração é rica em simbolismos e gestos fraternais. Por exemplo, sempre há a presença de uma delegação do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, um sinal de união entre as diferentes tradições cristãs. Em retribuição, a Santa Sé envia um representante para a Festa de Santo André, padroeiro da Igreja de Constantinopla, que ocorre em 30 de novembro.
Um detalhe que costuma chamar a atenção é o ritual que envolve a imagem de bronze de São Pedro, localizada na nave principal da Basílica. Para a ocasião, ela é adornada com um manto vermelho, criando um visual marcante. Além disso, um grande cesto é colocado na entrada da Basílica, aludindo à famosa imagem do “pescador de homens”, que é uma das muitas referências ao trabalho de evangelização.
Na homilia, o Papa destacou as características marcantes de Pedro e Paulo. Ele lembrou que Pedro, muitas vezes, teve que lutar para manter a união entre os irmãos, mostrando que, embora não fosse perfeito e tenha negado Jesus, sempre se mostrou disposto a reconhecer seus erros e buscar a reconciliação. O símbolo das chaves, que representa Pedro, ilustra bem essa ideia: ao invés de fechar portas, ele as abre, buscando sempre o diálogo e a paz.
Paulo, por sua vez, foi descrito como um incansável pregador da Boa Nova. O Papa ressaltou que Paulo se transformou pela força da Palavra de Deus, passando de um perseguidor a um defensor fervoroso do amor. A união entre o livro e a espada simboliza essa mudança radical em sua vida.
Com isso, o Papa convidou todos os presentes a refletirem sobre como podem ser apóstolos e construtores de unidade, colocando Deus no centro de suas vidas. O rito da entrega dos pálios, que são faixas de lã branca enfeitadas com cruzes, representa o compromisso de cada pastor de cuidar de seus fiéis, dedicando tempo e esforço para que todos possam encontrar harmonia.
Ao final, o Papa cumprimentou a delegação ecumênica e reiterou a importância de seguir os ensinamentos de Jesus, desejando que todos continuem a trilhar o caminho da comunhão. A cerimônia culminou com a bênção e a imposição do pálio a 35 novos arcebispos metropolitanos, incluindo os quatro brasileiros: Dom Júlio Endi Akamine (Belém do Pará), Dom José Roberto Fortes Palau (Sorocaba), Dom Marco Aurélio Gubiotti (Juiz de Fora) e Dom Mário Antônio da Silva (Aparecida).