Na última segunda-feira, dia 29, uma cena aterradora se desenrolou na Escola Secundária Estadual de Lassa, em Borno, no nordeste da Nigéria. Homens armados invadiram o local durante a realização das provas do Conselho Nacional de Exames, levando dezenas de estudantes e funcionários como reféns. O clima de pânico tomou conta da escola, e pelo menos um professor foi morto durante o ataque.
De acordo com as autoridades, os criminosos chegaram por volta das 9h, disparando contra a escola. O porta-voz da Polícia de Borno, ASP Nuhu Kenneth Daso, classificou a situação como um “ataque terrorista”. Testemunhas relataram que os assaltantes chegaram em motocicletas, se disfarçando de agentes de segurança com roupas que lembravam uniformes militares e de guardas florestais. Na prática, essa tática de se passar por autoridades costuma confundir e permitir que esses grupos armados realizem ataques com mais facilidade.
Até o dia 30 de junho, pelo menos 36 estudantes e um funcionário ainda estavam em cativeiro, sendo 25 meninas e 11 meninos. O comissário de Educação de Borno, Lawan Abba Wakilbe, confirmou que as forças de segurança conseguiram resgatar oito pessoas, incluindo o vice-diretor da escola. As buscas nas matas continuam, com a esperança de encontrar os demais desaparecidos.
Existem suspeitas de que o Boko Haram esteja por trás desse ataque, embora até o momento nenhum grupo tenha reivindicado a autoria. O estado de Borno é uma das áreas mais afetadas pela violência desse grupo e do Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP), ambos atuando na região há mais de 15 anos. O Boko Haram, em particular, tem uma ideologia que se opõe à educação ocidental, tornando as escolas alvos frequentes. Isso impacta tanto comunidades muçulmanas quanto cristãs, criando um clima de medo que afeta a vida cotidiana.
A Anistia Internacional já alertou que os sequestros em escolas têm desencorajado muitas crianças a frequentarem as aulas no norte da Nigéria. Um relatório da Anistia destacou que, desde o famoso sequestro de Chibok em 2014, pelo menos 15 sequestros em massa foram registrados. A situação é preocupante, pois o fechamento de escolas em várias partes do norte do país afeta diretamente o acesso à educação das crianças.
Esse ataque ocorreu enquanto os alunos realizavam o NECO, um exame nacional importante para os estudantes do ensino médio na Nigéria. Os jovens sequestrados têm entre 15 e 18 anos. Esse tipo de situação acontece em um contexto em que as forças de segurança estão ativas no combate a grupos terroristas. Recentemente, em junho, o Exército nigeriano conseguiu resgatar mais de 300 pessoas que haviam sido sequestradas pelo Boko Haram em uma operação na cidade de Ngoshe, não tão distante de Lassa.
As buscas pelos estudantes sequestrados continuam, e as famílias seguem esperançosas por notícias. A cada dia, a realidade de viver sob a sombra da violência se torna mais evidente, afetando não apenas a segurança, mas também o futuro das crianças na região.