amor a Deus e amor ao próximo são inseparáveis

Neste sábado, 4, o Papa Leão XIV celebrou uma Missa em Lampedusa, marcando o fim de sua visita pastoral à ilha. Durante a celebração, ele fez um apelo emocionante aos fiéis, pedindo que promovam o amor e o acolhimento. Ao chegar ao local, o Papa cumprimentou os presentes do papamóvel antes de iniciar a cerimônia.

Em sua homilia, ele lembrou que os apóstolos de Jesus navegaram pelo Mar Mediterrâneo e sentiram a hospitalidade dos moradores das ilhas. O Papa destacou que o Evangelho se faz ouvir onde as pessoas se acolhem e compartilham suas experiências. Por outro lado, ele alertou que ele não ressoa onde as pessoas se isolam, evitando o contato e o intercâmbio.

O Santo Padre refletiu sobre a parábola do bom samaritano, ressaltando que Lampedusa se encontra em uma rota arriscada, onde muitos migrantes perderam tudo e outros foram acolhidos pelo mar. Ele agradeceu aos habitantes da ilha pela forma como acolhem os migrantes, ressaltando que esse amor surge de uma liberdade interna. “O amor existe sempre na liberdade, e a liberdade está nas decisões que tomamos”, disse ele.

Leão XIV também abordou a indiferença que muitas vezes se observa nas sociedades, citando a discriminação religiosa como um exemplo. Ele mencionou a parábola em que um sacerdote e um levita veem um homem ferido na estrada, mas decidem não ajudá-lo. “É hora de reconhecer que a religião nunca deve ser motivo de discriminação. O amor a Deus deve se traduzir em amor ao próximo”, enfatizou.

O Papa falou sobre a “civilização do amor” que seus predecessores propuseram, destacando que ela não surge de gestos grandiosos, mas de pequenas ações diárias que combatem a desumanização. Em relação à migração, ele reafirmou que a Europa precisa lidar com essa crise de maneira estratégica, acolhendo, protegendo e integrando os migrantes, além de fomentar o desenvolvimento para que ninguém precise emigrar.

Ele também alertou que a vocação turística de Lampedusa pode ser afetada pelas rotas migratórias, levando à indiferença. O Papa desafiou os moradores a fazer com que os visitantes se tornem mais humanos ao se depararem com a caridade que praticam. “Um verdadeiro descanso vem da redescoberta do sentido da vida, onde a economia é justa e fraterna”, disse.

Ao final de sua homilia, Leão XIV se voltou para a imagem de Nossa Senhora de Porto Salvo, padroeira de Lampedusa, pedindo a intercessão da Virgem Maria pela ilha. Ele encorajou a todos a não se deixarem dominar pelo medo, mas a verem os desafios diários como oportunidades para testemunhar. “Todos nós temos em Deus um porto seguro”, concluiu, lembrando que cada comunidade cristã deve refletir essa segurança na terra.

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João Ribeiro