No Brasil, uma linda iniciativa está ganhando força nas dioceses: a Adoção Espiritual. Ela surge no contexto da Semana Nacional da Vida, celebrada entre 1º e 8 de outubro, e tem convidado os fiéis a se engajar em uma jornada de oração e cuidado pelas crianças que estão em risco de aborto, além de oferecer apoio às gestantes em situação de vulnerabilidade.
A ideia é simples, mas poderosa. A pessoa que decide participar se compromete a rezar durante nove meses por uma criança que ainda não nasceu e por sua mãe. Esse gesto tem um significado profundo, pois, ao se comprometer, o participante se torna, espiritualmente, um pai ou mãe daquela criança. O compromisso começa com uma oração e, diariamente, é feita uma dezena do terço, junto a uma oração específica pela criança e sua família. E, se quiser, o participante pode também realizar uma boa ação em prol dessa intenção.
Dom Tiago Stanislaw, bispo auxiliar do Rio de Janeiro e grande defensor da Adoção Espiritual, explica que ao rezar com esse propósito, as pessoas se colocam na posição de pais espirituais. O legal é que não é necessário conhecer a gestante ou a criança. A proposta é confiar a Deus a vida que Ele conhece melhor do que ninguém.
A origem da Adoção Espiritual remete a uma iniciativa polonesa dos anos 80, que encontrou seu caminho até o Brasil por meio de Dom Tiago. Desde que ele chegou ao país em 2000, começou a divulgar essa prática em sua paróquia. O que começou como uma ideia simples se espalhou e, com a pandemia de Covid-19, ganhou novos contornos. Em 2020, Dom Tiago sugeriu que a Arquidiocese de São Sebastião adotasse a prática em um gesto de apoio à vida.
Débora Meireles Martinho, coordenadora nacional da Adoção Espiritual, também se envolveu com a proposta em 2020 e, desde então, tem visto a iniciativa crescer. Hoje, ela está presente em mais de 60 dioceses e conta com mais de 500 colaboradores em todo o Brasil. É lindo ver como a Adoção Espiritual tem atraído pessoas de todas as idades e origens, desde jovens até idosos, que desejam fazer a diferença na vida de alguém.
Além da oração, a iniciativa também busca promover ações concretas nas comunidades. Os grupos são incentivados a se aprofundar no conhecimento sobre a vida humana e a colaborar com obras de caridade. Isso pode incluir oferecer apoio psicológico, cestas básicas e enxovais para gestantes em situação de vulnerabilidade. Dom Tiago destaca que a oração é uma ferramenta poderosa, mas a ação é igualmente importante. O objetivo é estar ao lado das mulheres que enfrentam gravidezes inesperadas, oferecendo acolhimento e apoio, sem julgamentos.
A Adoção Espiritual é uma proposta inclusiva, permitindo que pessoas de todas as idades participem. Crianças que já sabem rezar, jovens, adultos, casais e até religiosos podem assumir esse compromisso. Um exemplo bonito é o da filha de Débora, que começou a rezar aos 9 anos acompanhada pela mãe e, hoje, aos 15, continua a prática de forma independente.
Além disso, muitas pessoas que se tornaram pais espirituais relatam experiências transformadoras. Mulheres que já passaram por abortos encontram na Adoção Espiritual um caminho de reconciliação, e casais que enfrentam dificuldades com a fertilidade encontram um novo propósito.
Para quem se interessa em saber mais sobre a Adoção Espiritual, existem orientações disponíveis nas redes sociais e um aplicativo que acompanha o desenvolvimento de um bebê ao longo da gestação. Aqueles que desejam levar a proposta para suas paróquias podem participar de formações online, o que facilita a disseminação da ideia e o envolvimento de mais pessoas.
É uma jornada de fé e cuidado que tem tocado muitos corações e promovido um impacto positivo nas vidas de tantas pessoas.