Arcebispo de Nova York relembra o 11 de setembro

Vinte e cinco anos se passaram desde os trágicos atentados de 11 de setembro de 2001, que deixaram quase 3 mil pessoas mortas em Nova York, na Pensilvânia e em Washington, D.C. Em uma conversa recente, o arcebispo de Nova York, Dom Ronald Hicks, relembra como a fé foi um suporte vital em meio a tanta dor e como as comemorações desse dia servem para parar, ouvir, rezar e, principalmente, não esquecer.

Dom Hicks começou sua reflexão destacando que muitas pessoas ainda conseguem lembrar exatamente onde estavam naquele dia fatídico. Para ele, essa memória é coletiva e toca a vida de todos, independentemente de estarem no trabalho, na escola ou até mesmo ainda não terem nascido. O impacto dos ataques mudou a história do mundo de forma irreversível.

Naquele dia, Dom Hicks estava em uma sala de aula, fazendo seus estudos de pós-graduação na Arquidiocese de Chicago. Ele se recorda da incredulidade que tomou conta de sua turma ao receber a notícia dos ataques. Aquela tragédia não afetou apenas os locais onde os aviões colidiram, mas também deixou marcas profundas em milhares de pessoas.

A fé como um ponto de referência

Apesar do terror e da tristeza, a fé emergiu como um farol de esperança. O arcebispo compartilha que, em momentos de crise, as pessoas tendem a retornar a Deus e aos valores que nos mantêm unidos. Ele menciona que, naquele dia, mais de 2.900 vidas foram perdidas, mas também houve muitos que arriscaram tudo para salvar outras. Um exemplo marcante é o padre Mychal Judge, o capelão dos Bombeiros de Nova York, que foi uma das primeiras vítimas confirmadas.

Dom Hicks ressalta que ações altruístas como as do padre Judge refletem o amor sacrificial que se manifestou em meio ao caos. Muitas pessoas se uniram para ajudar, demonstrando que, mesmo nas situações mais desafiadoras, a bondade humana pode brilhar.

Homenagens e celebrações

Nos dias que antecedem o aniversário dos atentados, Nova York se transforma em um espaço de homenagens. Cerimônias, missas e atos de lembrança são organizados para marcar a data. Desde as marchas em memória das vítimas até o toque dos sinos na hora exata em que o primeiro avião atingiu a Torre Norte, tudo é pensado para que a comunidade se reúna e não esqueça os eventos que moldaram suas vidas.

Uma missa de vigília na Catedral de São Patrício, cheia de familiares das vítimas e representantes de diversas instituições, foi um momento de reflexão e apoio mútuo. O arcebispo explica que compartilhar a dor e a fé ajuda a curar as feridas que ainda permanecem abertas após tantos anos.

Paz e unidade em tempos de divisão

Comemorar o 11 de setembro também é um lembrete de que a paz é um bem precioso e frágil. O arcebispo destaca que a verdadeira paz só é possível quando as pessoas se unem, superando diferenças e desafios. Os ataques de 2001 lançaram uma sombra sobre a fraternidade e a estabilidade que muitos acreditavam estar consolidadas.

Dom Hicks lembra que líderes como o Papa João Paulo II e o Papa Bento XVI enfatizaram a importância do diálogo e da solidariedade para superar conflitos. Em um mundo muitas vezes marcado pela violência, as mensagens de amor e compaixão continuam relevantes.

Diálogo e esperança para o futuro

Na missa que marcou os 25 anos dos atentados, diversas lideranças religiosas se reuniram, mostrando que o diálogo inter-religioso é fundamental. O arcebispo ressalta que, mesmo com as várias divergências entre diferentes crenças, é essencial dar o primeiro passo em direção à unidade.

Ele finaliza sua homilia lembrando que a cura e o luto são processos que demandam tempo e atenção. Embora o sofrimento não possa ser esquecido, a esperança permanece viva. Deus, afirma ele, está conosco em cada passo da jornada, nas alegrias e tristezas. A mensagem é clara: nunca estamos sozinhos, e a fé nos acompanha sempre.

Sobre o Autor

João Ribeiro