Às vésperas do Dia da Independência da Ucrânia, a Irmã Liji Payyapilly, uma religiosa da Congregação das Irmãs de São José de Saint-Marc, compartilha suas reflexões sobre a situação atual do país. Natural da Índia, ela está na Ucrânia há quase 25 anos e, com um sotaque que traz um toque especial, fala com um coração que se identifica profundamente com o povo ucraniano.
“Todo dia é uma luta”, comenta a Irmã Liji. “Vamos dormir com medo, sem saber quando mísseis ou drones podem chegar. Agradecemos a Deus por acordar e, à noite, damos graças por ainda estarmos vivos.” Para ela, a situação é angustiante, mas os ucranianos merecem viver com segurança e paz, assim como qualquer outra nação.
### O papel da Irmã Liji na comunidade
Na Transcarpátia, em Pavshyno, próximo a Mukachevo, a Irmã Liji acolhe pessoas no mosteiro para momentos de oração e reflexão. Ela é conhecida por muitos — católicos e não católicos — que buscam seu apoio espiritual. O ambiente no mosteiro é acolhedor e, mesmo em tempos difíceis, é um refúgio para aqueles que buscam conforto e esperança.
Além de receber visitantes, a Irmã Liji viaja para outras paróquias, tanto na Ucrânia quanto no exterior, onde conduz retiros espirituais. Recentemente, ao visitar áreas afetadas pela guerra, ela percebeu a importância da oração como uma forma de resistência e um modo de buscar a verdadeira independência em tempos de conflito.
### A missão de adoração e evangelização
Ela fala com entusiasmo sobre seu ministério, onde a adoração eucarística é fundamental. “Quando estou em adoração, sinto que expresso meu amor pela Eucaristia e quero que outros também possam senti-lo”, explica. Para a Irmã Liji, evangelizar é compartilhar sua experiência pessoal de como Deus tocou sua vida. “A Eucaristia é a presença viva de Deus entre nós”, diz, com uma convicção que transparece em suas palavras.
O mosteiro continua sendo um ponto de referência, mas a demanda por apoio espiritual fez com que ela se tornasse uma verdadeira viajante. Muitas pessoas querem falar com ela, e, sabendo que nem todos podem ir até lá, a religiosa decidiu ir até elas. “Antes da pandemia, recebíamos até 700 pessoas por dia. Agora, temos um sistema de agendamento para gerenciar melhor as visitas e oferecer atenção especial.”
### Histórias de dor e solidariedade
A guerra transformou o perfil das pessoas que buscam ajuda. A Irmã Liji observa que, atualmente, muitas delas vêm com histórias de perda: mães que perderam filhos, esposas que ficaram viúvas. “É um privilégio poder consolar e rezar por aqueles que estão sofrendo”, reflete.
Em sua busca por entender o que essas pessoas estão passando, a Irmã Liji deixou a segurança da Transcarpátia e visitou áreas severamente afetadas pela guerra. Ela lembra de momentos impactantes, como quando viu filas de pessoas esperando desde cedo por um pedaço de pão. “Quando cheguei aqui em 2004, ouvia os idosos falarem da fome da Segunda Guerra Mundial. Nunca pensei que, no século XXI, veria cenas semelhantes: milhares de pessoas em busca de comida.”
Apesar de tudo, a Irmã Liji também encontrou exemplos de solidariedade. Ela menciona o trabalho dos Frades Albertinos em Zaporizhzhia, que se dedicam incansavelmente a preparar e distribuir alimentos para famílias e crianças. Esses gestos de caridade são um lembrete poderoso de que, mesmo em meio à tragédia, a esperança e o amor ainda encontram formas de brilhar.