Descubra a origem, missão e curiosidades relevantes

Estamos na primeira semana do Mês das Vocações no Brasil, um momento especial para celebrar os ministros ordenados da Igreja. Isso inclui os sacerdotes, que tiveram seu dia comemorado no dia 4, mas também os bispos e os diáconos. O diácono Leandro Marcelino Santos, casado há 33 anos e pai de três filhas, é um desses ministros. Ele foi ordenado em 2013 na Diocese de Mogi das Cruzes, em São Paulo, e atualmente atua na Paróquia São Benedito, localizada no bairro da Vila Suissa. Desde 2023, Leandro também é o secretário-geral da Comissão Nacional dos Diáconos, tudo isso enquanto mantém sua carreira em Tecnologia da Informação.

Leandro destaca que o diaconato não é uma recompensa por anos de trabalho na comunidade ou por ocupar um cargo de destaque na Igreja. “O diaconato não é um prêmio, mas um chamado de Deus”, ele afirma com convicção. Essa visão é fundamental para entender a essência do ministério diaconal.

A Origem do Diaconato

O diaconato, como explica Leandro, é o primeiro grau do sacramento da Ordem. Isso significa que, ao ser ordenado, o diácono recebe uma graça especial para servir à Igreja em harmonia com o bispo e os padres. A história do diaconato remonta à Igreja primitiva, como podemos ver nos Atos dos Apóstolos, onde sete homens foram escolhidos para cuidar da comunidade, especialmente dos necessitados. Um deles, Santo Estêvão, é lembrado como o primeiro mártir da Igreja. No entanto, ao longo dos séculos, o diaconato foi quase que limitado a um estágio preparatório para o sacerdócio. Foi o Concílio Vaticano II que trouxe de volta o diaconato permanente como um ministério autônomo e estável.

O Papel do Diácono

A missão do diácono é, essencialmente, representar o Cristo Servo. Isso envolve uma atenção especial aos pobres, doentes, excluídos e a todos que necessitam do apoio da Igreja. “Ele lembra a comunidade que não há evangelização sem serviço, nem fé verdadeira sem caridade”, destaca Leandro. O ministério diaconal se divide em três áreas principais:

  1. Serviço da Palavra: Aqui, o diácono se dedica a anunciar o Evangelho, pregar e ajudar na formação da fé.
  2. Serviço da Liturgia: O diácono assiste nas celebrações, proclama o Evangelho, administra batismos, e também pode presidir exéquias e celebrações da Palavra.
  3. Serviço da Caridade: Isso envolve estar próximo de quem enfrenta situações de sofrimento.

É importante lembrar que todos os cristãos são chamados a evangelizar e praticar a caridade. O que distingue o diácono é que ele recebe essa missão como um ministério ordenado, tornando-se um sinal visível de Cristo no meio do povo.

Quem Pode Ser Ordenado?

Para se tornar diácono, Leandro explica que os candidatos devem ser homens católicos com uma vida cristã sólida. Precisam ter boa reputação, maturidade e disposição para servir. Podem ser solteiros, celibatários ou casados. No caso dos casados, normalmente precisam ter pelo menos 35 anos, um casamento estável e o consentimento da esposa. Além disso, é essencial que eles consigam sustentar a família e mantenham uma profissão que se encaixe nas exigências do ministério diaconal. Já os solteiros ou celibatários podem ser ordenados a partir dos 25 anos, assumindo o compromisso de permanecerem celibatários.

Formação para o Diaconato

O caminho até a ordenação é longo e cheio de aprendizado. Leandro menciona que a formação inclui anos de oração, discernimento, estudos e experiência pastoral. Durante esse período, o candidato é preparado nas áreas humana, espiritual, teológica e pastoral. Ele passa por ministérios como Leitor e Acólito antes da ordenação.

É interessante notar a diferença entre o diácono transitório e o permanente. O primeiro vê o diaconato como uma etapa antes de se tornar padre, enquanto o permanente abraça essa vocação por toda a vida, como é o caso de Leandro. Ambos recebem o mesmo sacramento e têm a mesma dignidade, mas o caminho que cada um percorre é único.

Esse é um pouco do universo do diaconato, um ministério que, embora muitas vezes passe despercebido, desempenha um papel essencial na vida da Igreja e na sociedade.

Sobre o Autor

João Ribeiro