Discussões iniciam com ênfase na busca pela paz

Na última sexta-feira, a Sala Paulo VI foi o cenário de uma importante discussão durante a segunda sessão do Consistório Extraordinário, que teve como tema central a paz. O encontro lembrou a “dolorosa situação da Venezuela” e as vítimas de desastres naturais, como os terremotos, ressaltando a urgência de se trabalhar em prol de uma verdadeira “civilização do amor”.

Os cardeais se reuniram para refletir sobre o capítulo V da Encíclica Magnifica humanitas. A sessão começou com uma oração comunitária, conduzida pelo cardeal Pablo Virgilio Siongco David, que deu início aos trabalhos. O cardeal Víctor Manuel Fernández, chefe do Dicastério para a Doutrina da Fé, foi o responsável por uma conferência introdutória. O Papa Leão XIV fez questão de estar presente no começo e na plenária que se seguiu.

Um dos pontos destacados foi a necessidade de não normalizar a guerra. Durante a sessão, os participantes se dividiram em 11 grupos, onde discutiram as dificuldades do momento atual. Eles abordaram questões como a desumanização gerada pela cultura do poder e a tendência de aceitar a lógica dos poderosos. Essa normalização da guerra e a polarização da sociedade têm efeitos diretos na maneira como lidamos com a violência. É nesse contexto que surge o apelo à responsabilidade coletiva para a construção da paz.

A conversa também enfatizou que a Igreja deve ser um modelo de reconciliação, escuta e justiça restaurativa. É fundamental que a linguagem utilizada seja sensível e acolhedora, capaz de tocar o coração de quem vive em conflito. Essa abordagem ajuda a entender as feridas causadas pela guerra e promove a busca pela unidade dentro da Igreja.

No debate, a unidade da Igreja foi apontada como essencial para estabelecer um diálogo efetivo com outras religiões, especialmente com o Islã. Em tempos em que a indiferença à dor do próximo cresce, cada um deve assumir seu papel na construção da paz. A fé em Cristo e o poder transformador do Evangelho foram lembrados como fundamentais para enfrentar situações desafiadoras, além do importante trabalho da Igreja em lugares como a Terra Santa e Leste Europeu.

O papel da política também entrou na pauta, ressaltando a necessidade de se distanciar de relações prejudiciais com o poder econômico. Foram abordados temas como família e educação, além da importância de evitar respostas imediatas e buscar uma evangelização mais ousada. Muitos grupos reconheceram a atuação da diplomacia da Santa Sé e dos Núncios na promoção da voz da Igreja.

Outro ponto importante foi a necessidade de repensar a lógica da guerra justa. Em vez de justificar ações pela força, deve-se falar sobre o direito a uma defesa proporcional. Os cardeais expressaram gratidão ao Papa Leão pela sua Encíclica, que condena conflitos e clama por paz. A reflexão sobre a independência da Igreja em relação ao poder político também foi relevante, assim como a necessidade de gestos que possam simbolizar a paz neste tempo conturbado.

Por fim, os cardeais compartilharam suas reflexões individuais sobre os temas discutidos, agradecendo pela oportunidade de diálogo. Eles destacaram a importância de unir esforços com líderes de outras religiões para a construção da civilização do amor. A Encíclica foi vista como um chamado para que o Colégio Cardinalício assuma a responsabilidade de promover a paz, evocando momentos históricos como o Encontro de Oração pela Paz, organizado por João Paulo II em Assis, em 1986. A sessão encerrou com o Papa Leão conduzindo a oração final, marcando um momento de reflexão e esperança.

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João Ribeiro