Ebola coloca em risco o ano letivo de escolas católicas no Congo

Em meio a um cenário delicado de saúde pública, as escolas católicas do nordeste do Congo estão se preparando para mais um ano letivo. Com a pandemia e a ameaça do surto de Ebola, a expectativa é grande, mas os desafios também são muitos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que este surto de Ebola é o mais rápido que já vimos, com mais de 4.400 casos confirmados e mais de 2.000 mortes. No meio de tudo isso, o Ministério da Educação Nacional do Congo anunciou que as aulas voltarão no dia 1º de setembro. Essa é uma data aguardada com ansiedade, mas também com um certo receio pela situação.

Na Diocese de Bunia, localizada na província de Ituri, os preparativos para receber os alunos de volta às salas de aula estão em andamento, mesmo com as dificuldades impostas pelo surto. O Pe. Willy-Rogatien Dzaringa, responsável pelas escolas católicas da região, compartilhou algumas das medidas que estão sendo tomadas para garantir um retorno seguro.

Medidas Sanitárias em Foco

As escolas católicas estão se organizando para abrir suas portas, seguindo orientações rigorosas. O Pe. Dzaringa menciona que estão sendo reforçadas as medidas de prevenção, como a instalação de estações de lavagem das mãos e o uso de termômetros sem contato, conhecidos localmente como “thermoflash”. Cada escola terá um grupo responsável por monitorar as condições de saúde diariamente.

Porém, ele não esconde que a realidade é complicada. “O financiamento para essas instalações é muito limitado”, lamenta. Embora algumas escolas tenham conseguido equipamentos através de doações, a quantidade ainda é insuficiente, especialmente nas áreas mais afastadas.

A Confiança dos Pais é Fundamental

Outra preocupação que permeia as escolas é a confiança dos pais. O Pe. Dzaringa explica que estão fazendo um esforço para tranquilizar as famílias. Estão compartilhando informações sobre as medidas de segurança adotadas nas escolas, utilizando a Associação de Pais de Alunos de Escolas Católicas (APEC) e outros meios de comunicação locais para disseminar essas mensagens.

Desafios da Insegurança

Além do surto de Ebola, a insegurança na região tem afetado as escolas há anos. O Pe. Dzaringa aponta que a violência tem perturbado o ambiente escolar desde 2018, dificultando a integração de crianças deslocadas. É um ciclo triste: sempre que conseguem acolher essas crianças, a violência as força a fugir novamente.

Apesar de todos esses obstáculos, a Diocese está determinada a continuar recebendo alunos deslocados, respeitando as medidas de saúde necessárias. Estão dispostos a manter as escolas funcionais e utilizar as instalações disponíveis para que as aulas possam recomeçar rapidamente.

Treinamento e Preparação

O treinamento dos professores e profissionais da educação já está em andamento há mais de um ano. As capacitações começaram antes mesmo do surto atual ser declarado, e isso tem sido importante para preparar a equipe. Eles estão aprendendo a usar termômetros e a disseminar informações de forma clara e acessível para todos.

Esperança com as Vacinas

Sobre a vacinação, o Pe. Dzaringa expressa otimismo. As campanhas de vacinação contra a cepa Bundibugyo trazem esperança para a população de Ituri, que já sofreu tanto com o surto. A comunidade escolar está unida na expectativa de que essas iniciativas ajudem a controlar a propagação do vírus.

Um Apelo à Solidariedade Internacional

O Pe. Dzaringa também faz um apelo à comunidade internacional e às autoridades de saúde para que se intensifiquem os esforços de combate ao surto. Ele observa que, apesar de várias promessas de recursos financeiros, o progresso tem sido lento e muitas vidas continuam sendo perdidas.

Ele acredita que, com um trabalho mais coordenado, será possível superar essa crise e garantir um ano letivo mais seguro e estável para as crianças da região. O foco agora é unir esforços e agir rapidamente para proteger a saúde e a educação de todos.

Sobre o Autor

João Ribeiro