Durante sua visita à Unesco, em Paris, o Papa Leão XIV conversou sobre temas muito importantes, como a dignidade humana, a paz e os desafios que as novas tecnologias trazem. Esse encontro, que aconteceu na sexta-feira, dia 25, foi uma das paradas do primeiro dia de sua viagem à França, que segue até segunda-feira, dia 28.
O Papa lembrou que em 2027 fará 75 anos que a Santa Sé está presente na Unesco. Ele enfatizou que a educação, a ciência e a cultura são essenciais para promover a dignidade da pessoa humana. Ao resgatar um discurso de São João Paulo II, o Papa disse que a educação só é completa quando aborda o propósito da vida. Ele alertou: “Mesmo no século XXI, ainda não sabemos quem é a pessoa humana ou o que significa viver como tal”.
O Santo Padre destacou a importância de reconhecer a humanidade comum, ressaltando que a vida é um presente e que todos temos uma responsabilidade uns com os outros. Ele fez um apelo especial para cuidar dos mais vulneráveis, que muitas vezes sofrem quando a vida é vista apenas sob a ótica da utilidade.
Educação, ciência e paz
Ao tratar da responsabilidade da educação e da ciência em tempos de conflito, o Papa lembrou que, segundo a Constituição da Unesco, as guerras começam na mente das pessoas, e é nela que devemos construir a paz. Ele alertou que o progresso científico, se não estiver ligado à sabedoria, pode se transformar em algo destrutivo. Também ressaltou que acordos de paz são importantes, mas não suficientes, pois a verdadeira paz vem da justiça e da vontade do bem.
A guerra, para ele, é uma das piores consequências da humanidade, especialmente quando o conhecimento é usado para causar destruição.
Desafios da inteligência artificial
Um dos pontos centrais da fala do Papa foi a inteligência artificial. Ele enfatizou que as novas tecnologias devem servir às pessoas e não se transformar em ferramentas de opressão. O Papa observou um paradoxo interessante: enquanto chamamos sistemas computacionais de “inteligência”, muitas vezes esquecemos de valorizar a dignidade inerente a cada ser humano. Para ele, essa dignidade não deve ser medida pela eficiência ou produtividade, mas deve permanecer intacta, mesmo em momentos difíceis da vida.
Leão XIV também falou sobre como as máquinas podem processar dados, mas não conseguem responder questões profundas sobre o sentido da vida. Ele disse que “os seres humanos não podem viver sem sentido. O sentido é o oxigênio da mente”.
Verdade e proteção das novas gerações
O Papa ainda refletiu sobre o impacto da comunicação veloz e da quantidade de informações disponíveis. Estar mais conectado não significa que estamos nos comunicando melhor ou que temos acesso à verdade. Ele destacou que a comunicação pode ser rápida, mas nem sempre é verdadeira, e que a informação, apesar de abundante, não é sinônimo de sabedoria.
Nesse contexto, ele comentou sobre a importância da educação para o uso responsável das tecnologias e elogiou iniciativas como o programa de Alfabetização Midiática da Unesco. O Papa fez um apelo pela proteção de crianças e jovens no ambiente digital, afirmando que a vulnerabilidade deles não deve ser uma oportunidade de exploração. Segundo ele, as tecnologias devem promover o crescimento e a liberdade de pensamento.
Reflexões sobre união e diversidade
Para ilustrar possíveis caminhos para a humanidade, Leão XIV usou as histórias bíblicas da Torre de Babel e de Pentecostes. A Torre de Babel representa uma unidade forçada, enquanto Pentecostes simboliza uma comunhão que valoriza as diferenças. O Papa disse que a “tentação de Babel” se manifestava hoje em formas de globalização que não promovem a fraternidade, assim como em imposições ideológicas. Por outro lado, Pentecostes aponta para uma unidade que respeita a diversidade.
Cuidado com os vulneráveis
Ao final do discurso, o Papa conectou a proteção da dignidade humana com o cuidado do meio ambiente. Ele lembrou os conceitos de “ecologia da pessoa humana” e “ecologia integral”, defendendo que a proteção dos vulneráveis deve ser um critério essencial para avaliar o compromisso da sociedade com a dignidade humana. Ele citou crianças, pessoas com deficiência, idosos e migrantes como grupos que precisam de atenção especial.
Leão XIV também comentou sobre a crise das instituições internacionais, que, embora essenciais, enfrentam desafios de confiança e eficiência. No entanto, ele defendeu a importância de continuar o diálogo e a cooperação. O Papa concluiu seu discurso com uma mensagem de esperança, acreditando que a educação e a ciência são fundamentais para construir a paz, sempre com um olhar voltado ao bem comum.