Nesta quinta-feira, dia 24, um momento especial vai acontecer: a beatificação do Venerável Fulton Sheen. A cerimônia será conduzida pelo Cardeal Luis Antonio Tagle, às 14h, em Saint Louis, Illinois, nos Estados Unidos. Essa é uma data marcante, que celebra a vida de um homem que, por meio da sua fé católica, deixou uma marca profunda na sociedade.
Fulton Sheen, cujo nome completo é Peter John Sheen, nasceu em 8 de maio de 1895, em El Paso, Illinois. Ele preferia ser chamado de “Fulton”, em homenagem ao sobrenome de solteira da mãe. Desde pequeno, a fé fez parte da sua vida. Ele começou a servir como acólito na Catedral de Nossa Senhora da Conceição em Peoria. Um episódio curioso ocorreu quando, aos 8 anos, derrubou uma galheta de vinho durante uma Missa. Esse momento, que poderia parecer simples, foi visto como um sinal do seu futuro: depois da celebração, o bispo John Spalding o encontrou e profetizou que um dia ele estudaria em Louvain, na Bélgica, e se tornaria bispo.
A profecia se concretizou. Após ingressar no seminário, Fulton foi ordenado sacerdote em 20 de setembro de 1919, aos 24 anos. Nesse dia, ele fez uma promessa de adorar Jesus Sacramentado diariamente por uma hora. Ele se dedicou aos estudos, passando pela Universidade Católica da América e pela Universidade de Louvain. Depois de um tempo na Bélgica, voltou aos Estados Unidos, onde lecionou na mesma instituição que o acolheu no início da sua jornada acadêmica. Além de professor, ele também escreveu mais de 50 livros, compartilhando seu dom para pregar.
Em 1930, o então padre Fulton Sheen ganhou destaque ao apresentar o programa de rádio “The Catholic Hour”. Durante duas décadas, ele abordou assuntos variados, desde a devoção à Virgem Maria até os perigos do comunismo, conquistando uma audiência fiel.
Em 1951, foi ordenado bispo pelo Papa Pio XII e assumiu o cargo de bispo auxiliar de Nova York. Entre 1962 e 1965, Fulton esteve presente nas sessões do Concílio Vaticano II, um marco importante na história da Igreja Católica. Nesse mesmo ano, ele estreou na televisão com o programa “Life is Worth Living”. A atração fez tanto sucesso que chegou a atrair 30 milhões de espectadores e, em 1953, lhe rendeu um prêmio Emmy de “Personalidade mais notável da televisão”.
Em seu programa, ele falava sobre temas do dia a dia e questões existenciais, sempre tentando responder à luz da fé católica. Essa abordagem conquistou não só os católicos, mas também pessoas que não frequentavam a Igreja, levando muitos a refletirem sobre suas vidas e até mesmo a se converterem. Depois, ele passou a apresentar “The Fulton Sheen Program”, continuando seu trabalho na televisão.
Nos últimos anos de sua vida, Fulton Sheen foi nomeado bispo da Diocese de Rochester em 1966. Três anos depois, o Papa Paulo VI o designou arcebispo titular da Diocese de Newport, no País de Gales, um título honorífico, já que a diocese havia sido extinta. Ele dedicou seus últimos anos à escrita e à oração. Fulton faleceu em 9 de dezembro de 1979, em sua capela privada, enquanto cumpria sua promessa de adoração diária.
A causa de beatificação de Fulton Sheen foi aberta em 2002, quando ele recebeu o título de Servo de Deus. Em 2014, um milagre atribuído à sua intercessão foi reconhecido por médicos, e em 2019, o Papa Francisco autorizou a beatificação. No entanto, a cerimônia foi adiada para investigar mais a fundo seu tempo na Diocese de Rochester. Recentemente, o Papa Leão XIV deu luz verde para que a beatificação ocorresse, culminando nesse dia tão esperado.