O Papa Leão XIV se encontrou nesta quarta-feira, 30, com monjas contemplativas dominicanas e aproveitou a oportunidade para falar sobre a importância do silêncio em meio ao caos da sociedade atual. O clima era de alegria, especialmente em função do recente reconhecimento das virtudes heroicas da Serva de Deus Irmã María Petra Giordano, uma monja da Ordem dos Pregadores que dedicou sua vida à fé e à vocação.
Logo no início do seu discurso, o Papa destacou que a vocação contemplativa não é algo isolado da missão da Igreja, mas sim o verdadeiro coração dela. Ele fez referência aos escritos de Jordão da Saxônia, que foi sucessor de São Domingos de Gusmão, ressaltando o papel das monjas nas primeiras comunidades femininas. Essas mulheres se dedicavam à oração e ao estudo, apoiando a pregação dos frades com sua prática de penitência e compartilham do mesmo carisma.
Leão XIV lembrou que, segundo São Domingos, para que a pregação seja autêntica, ela precisa ter suas raízes no silêncio, na escuta e na oração. Ele sugeriu que as visitas aos mosteiros sejam momentos de verdadeira conexão com Deus, onde a oração e a escuta mútua podem florescer, trazendo correção fraterna e reconciliação.
O Papa também abordou o valor do silêncio, afirmando que ele deve ser cultivado com cuidado. Esse silêncio não só ajuda a manter a tranquilidade no mosteiro, mas também permite que as religiosas se voltem para suas irmãs, tanto dentro quanto fora da comunidade. “Silêncio é um ato de vontade, que envolve a pessoa por inteiro”, explicou. Ele ressaltou que, nesse espaço de silêncio, perguntas internas muitas vezes difíceis de serem respondidas encontram ouvidos atentos.
Leão XIV reconheceu que as monjas enfrentam desafios, como o declínio de comunidades, a perda de vocações e a gestão de propriedades grandes e custosas. Ele as encorajou a não se perderem em como manter estruturas que podem se tornar vazias, mas sim a ouvir o que o Espírito está pedindo à vida contemplativa dominicana atual. “Há um fogo que arde e não pode ser deixado apagar”, lembrou, citando Santa Catarina de Sena.
Para encerrar, o Papa enfatizou que o trabalho das monjas dominicanas é de grande valor para a Igreja. Ele as incentivou a seguir em frente com confiança, em comunhão e discernimento, mantendo-se unidas, mas respeitando a individualidade de cada uma. Assim, elas podem ser verdadeiramente contemplativas, levando o mundo diante de Deus.