Nova tragédia destaca desafios da rota migratória perigosa

Um triste episódio aconteceu recentemente no Oceano Atlântico, envolvendo migrantes que tentavam chegar às Ilhas Canárias. Uma embarcação que partiu da Gâmbia estava à deriva por 25 dias, resultando na morte ou desaparecimento de pelo menos 106 pessoas. O barco levava 144 pessoas, incluindo mulheres e crianças, e apenas 38 conseguiram sobreviver.

A viagem começou na localidade de Bufalo, na Gâmbia, mas logo a embarcação enfrentou problemas mecânicos. De acordo com o porta-voz do ACNUR, Matthew Saltmarsh, ela ficou sem propulsão e à mercê das correntes marítimas. Isso gerou uma situação extremamente crítica, pois os migrantes ficaram sem combustível, sem GPS e sem alimentos ou água potável. Na luta pela sobrevivência, alguns se viram obrigados a beber água do mar.

Os sobreviventes conseguiram desembarcar em Nouadhibou, na Mauritânia, no dia 14 de julho. Durante as operações de resgate, a Guarda Costeira recuperou cerca de 390 pessoas de outras embarcações. No entanto, a tragédia não parou por aí: dois sobreviventes morreram logo após chegar à terra firme. Saltmarsh expressou sua tristeza e solidariedade, destacando que, apesar de não ser um número pequeno, é doloroso pensar naqueles que não conseguiram sobreviver.

Essa rota entre a África Ocidental e as Ilhas Canárias é conhecida por ser uma das mais perigosas do mundo. O ACNUR alerta que os migrantes enfrentam longas distâncias, condições imprevisíveis do mar e embarcações precárias e superlotadas. Além disso, a dificuldade em realizar operações de resgate rápidas agrava ainda mais a situação. O Papa Leão XIV também comentou sobre essa questão durante suas visitas à Espanha e a Lampedusa, lembrando das dificuldades enfrentadas por pessoas que fogem de conflitos, fome e mudanças climáticas.

Atualmente, o porto de Nouadhibou é o principal ponto de assistência para os sobreviventes que chegam à Mauritânia, mas enfrenta limitações em sua capacidade de atendimento. Os casos mais críticos de desnutrição e desidratação são encaminhados a hospitais da região. Desde o início de 2026, a Mauritânia registrou 17 desembarques, com um total de 2.147 pessoas resgatadas.

Embora o número de migrantes chegando às Ilhas Canárias tenha diminuído, a travessia continua arriscada. Dados da ONU indicam que as chegadas por mar ao arquipélago caíram 61% em relação ao ano anterior, com cerca de 4.400 pessoas chegando até 15 de julho. Contudo, a situação ainda é preocupante: a intensificação das fiscalizações nas rotas tradicionais empurrou os traficantes a escolherem pontos de partida mais ao sul, como o Senegal e regiões da Gâmbia. Isso faz com que as embarcações improvisadas enfrentem mais de 2 mil quilômetros em mar aberto, aumentando os riscos de naufrágios e tragédias semelhantes.

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João Ribeiro