Numa manhã fria de sexta-feira, o padre Paulo Ricardo trouxe uma mensagem poderosa durante o Acampamento PHN. Com o tema “Cor Inquietum”, ele convidou os jovens a refletirem sobre a importância de abandonarem as desculpas e buscarem a santidade. Para isso, ele se inspirou em Santo Agostinho, um dos grandes nomes do cristianismo.
O padre começou contando uma passagem das “Confissões”, a autobiografia de Santo Agostinho. Ele lembrou que, na adolescência, Agostinho cometeu um ato simples, mas significativo: roubou peras de um vizinho, não porque tivesse fome, mas pela adrenalina da transgressão. “Aos 19 anos, ele já poderia ter mudado de vida, mas não fez isso. Em vez de assumir a responsabilidade, se entregou ao maniqueísmo, uma filosofia que responsabiliza o mundo pelos nossos pecados”, explicou o padre.
Esse comportamento, segundo o sacerdote, é parecido com o que vemos hoje. “Vivemos em uma sociedade que muitas vezes coloca a culpa em tudo, menos em nós mesmos”, comentou. Agostinho passou 12 anos no pecado antes de encontrar o caminho da conversão. A coragem para mudar era o que ele precisava, mas preferiu continuar sua vida como estava.
Uma das partes mais marcantes da pregação foi quando o padre falou sobre a influência de Ambrósio, um orador que cativou Agostinho em Milão. “Ele não se cansava de ouvir Ambrósio, que o envolveu com a verdade, não apenas com a retórica”, contou. Com 30 anos, Agostinho teve um vislumbre da verdade, mas, curiosamente, só se converteu aos 32. “Não era falta de conhecimento, mas a falta de vontade que o impedia de mudar”, disse o padre.
Ele mencionou que Agostinho rezava pedindo castidade, mas com um detalhe: “Dai-me a castidade, mas não agora.” Isso toca em algo que muitos de nós sentimos. Muitas vezes, sabemos que estamos em um caminho errado, mas a vontade de mudar parece distante. O padre Paulo Ricardo enfatizou que a mudança começa com uma decisão firme.
Ele lembrou que Agostinho, em seu processo de transformação, começou a se inspirar na vida dos santos, assim como os jovens presentes no Acampamento PHN. Durante uma conversa com seu amigo Alípio, Agostinho se viu em um momento de vulnerabilidade. “Ele chorou porque sabia a verdade, mas não tinha forças para mudar”, relatou o padre. Foi então que, ouvindo uma criança em uma casa vizinha, Agostinho teve um momento crucial: “Toma e lê”, era a mensagem que o levaria a abrir as cartas de São Paulo e, assim, transformar sua vida.
O Acampamento PHN, que vai até domingo, promete ser uma experiência rica para os jovens que buscam reflexão e crescimento espiritual. Com uma programação cheia de pregações, cânticos e momentos de adoração, o evento se propõe a ser um espaço único para quem deseja se conectar com a fé de maneira mais profunda.