Padre potiguar avança em processo de beatificação

O padre João Maria Cavalcanti de Brito, carinhosamente conhecido como “O Anjo de Natal” e “Apóstolo da Caridade”, é uma figura muito querida no Rio Grande do Norte. Sua história é uma verdadeira inspiração, especialmente para aqueles que valorizam o cuidado com os mais necessitados. Ele dedicou sua vida a ajudar os pobres e a transformar a assistência social no século XIX, e agora sua trajetória está sendo analisada pela Igreja para um possível reconhecimento de santidade.

Durante a grande seca de 1889, João Maria se destacou ao organizar a distribuição de ajuda aos retirantes. Segundo o padre Bianor Francisco de Lima Júnior, pároco da Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes, o sacerdote não apenas distribuía esmolas, mas se tornou uma figura de confiança do governo para gerenciar o socorro, contando com o apoio de irmandades e associações leigas. Essa habilidade em unir esforços é um dos motivos pelos quais ele é lembrado com tanto carinho.

Em 1904, sua dedicação foi ainda mais evidente durante a epidemia de varíola, que atingiu Natal. Ele se envolveu ativamente no cuidado dos doentes, mesmo sabendo que a doença era altamente contagiosa. Infelizmente, ele sucumbiu à varíola um ano depois, mas sua imagem se consolidou entre os fiéis, que admiravam sua perseverança e entrega ao próximo.

O processo de beatificação de padre João Maria está em andamento. Com a fase diocesana concluída, a documentação foi enviada ao Dicastério para as Causas dos Santos. Para que ele seja reconhecido como santo, é necessário comprovar não apenas as virtudes heroicas de sua vida, mas também a ocorrência de milagres atribuídos à sua intercessão. O padre Bianor explica que, por se tratar de uma causa não relacionada a martírio, a beatificação depende da coleta de testemunhos e da verificação de graças que, conforme relatos, têm sido muitas.

Um detalhe interessante é que a devoção a padre João Maria permanece forte desde a abertura formal do processo em 2002. Muitos relatos de curas e favores atribuídos a ele foram coletados, incluindo o caso de um homem equatoriano que se curou de câncer. A fé, a esperança e a caridade são as virtudes que mais se destacam em sua história.

Atualmente, a causa está na fase romana, após a finalização da etapa diocesana em uma cerimônia solene na Catedral Metropolitana de Natal. A documentação necessária já foi entregue ao Vaticano, e agora aguarda-se o parecer das comissões vaticanas. Caso a análise seja positiva, ele poderá ser reconhecido como venerável, um passo importante em direção à beatificação.

Além de seu trabalho pastoral, padre João Maria também se destacou na criação de iniciativas sociais. Ele fundou a Escola São Vicente e o periódico Oito de Setembro, que foi o primeiro jornal católico do estado. Esse jornal serviu como um importante canal de comunicação e mobilização em suas campanhas. A influência do padre era tão forte que, ao falecer, até mesmo jornais de vertente evangélica lamentaram sua morte, mostrando que ele foi um verdadeiro construtor de pontes entre diferentes comunidades.

A história do padre João Maria é um exemplo de como a fé e a ação social podem andar juntas, promovendo mudanças significativas na vida das pessoas. Ele é lembrado não apenas por suas ações extraordinárias, mas pela maneira constante e dedicada com que se entregou ao próximo, um legado que ainda ressoa na comunidade até hoje.

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João Ribeiro