O arcebispo Lizardo Estrada Herrera compartilhou a empolgação e a alegria que estão crescendo no Peru com a iminente visita do Papa Leão XIV, marcada para novembro. O país, que vai do litoral do Pacífico à vasta floresta amazônica, se prepara para receber o Papa, que tem uma conexão especial com a nação. Ele é um agostiniano que dedicou parte de sua vida como missionário nas regiões de Piura e Trujillo durante os anos 1980 e 1990. Em 2015, o Papa Francisco o nomeou Bispo de Chiclayo e, cinco anos depois, Administrador Apostólico da Diocese de Callao.
O clima é de festa enquanto as pessoas se preparam para acolher o Papa. Porém, o Peru também enfrenta um momento de tristeza com a morte do Arcebispo de Cusco, Richard Daniel Alarcón Urrutia, no dia 30 de outubro. O arcebispo Estrada Herrera, que foi nomeado como Arcebispo Coadjutor de Cusco e também Secretário-Geral do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM) em agosto, falou sobre o legado de seu predecessor para a mídia do Vaticano. Ele destacou o comprometimento social de Alarcón, sua preocupação com os mais vulneráveis e seu trabalho na formação do clero e no apoio aos jovens.
Estrada Herrera lembrou como o falecimento de Alarcón causou tristeza profunda. Mesmo em meio a problemas de saúde, o arcebispo sempre se dedicou ao trabalho pastoral com entusiasmo. Ele descreveu Alarcón como um pastor próximo do povo e comprometido com a evangelização integral, enfatizando a importância de ser um evangelizador alegre, conforme sugerido na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium. Alarcón sempre fez questão de estar presente nas manifestações de fé popular e se preocupou em garantir que a Cáritas de Cusco chegasse aos que mais precisavam.
Sobre a continuidade do trabalho de Alarcón, Estrada Herrera planeja seguir o legado deixado, focando em uma abordagem pastoral que acolha as pessoas em sua totalidade, além de reforçar o processo sinodal na Arquidiocese de Cusco. Ele expressou confiança de que, com a ajuda de Deus, conseguirá dar sequência às iniciativas já estabelecidas.
Ao descrever o Peru que o Papa vai encontrar, Estrada Herrera falou sobre os desafios sociais do país, como a pobreza, a fragilidade da democracia, e as deficiências na educação e saúde, especialmente nas áreas mais remotas. Apesar do sofrimento, ele ressaltou a força da fé e da solidariedade que permeiam a cultura peruana. “As pessoas não aceitam passivamente as dificuldades; elas buscam construir um caminho de desenvolvimento por meio da solidariedade”, afirmou.
A Igreja Católica no Peru tem atuado nas periferias, ajudando os que sofrem e promovendo um diálogo mais aberto e inclusivo. Estrada Herrera mencionou a importância de ouvir e acolher as sugestões do Espírito Santo, além de dar espaço aos leigos e jovens nas atividades da Igreja. Ele destacou que a presença do Papa é essencial para unir o povo e reforçar a busca pelo bem comum.
Em relação à relação entre os leigos e a Igreja, Estrada Herrera observou que existe uma forte piedade popular que, mesmo em meio a desafios, mantém as pessoas unidas. Muitas delas participam de celebrações e atividades religiosas, mostrando um senso de pertencimento à comunidade. Embora haja críticas e desafios, ele acredita que a maioria das pessoas ainda confia na Igreja e valoriza seu trabalho social.
Sobre sua própria trajetória, Estrada Herrera, que cresceu em Apurímac, recordou como sua vocação foi influenciada pelos missionários agostinianos que chegaram à região nos anos 60. Ele percebeu que a vida deles, dedicada aos pobres e à educação, poderia ser um caminho para ele também. A decisão de se tornar sacerdote foi apoiada por sua família, que sempre valorizou a fé.
Por fim, ele compartilhou suas lembranças do Padre Robert Prevost, que foi seu formador durante os anos de seminário. Prevost, segundo Estrada Herrera, era um exemplo de dedicação e sempre incentivou os jovens a se tornarem bons missionários. Ele se sentia como um irmão e um guia, sempre ouvindo e apoiando os seminaristas em seu caminho.
A expectativa pela visita do Papa é palpável no Peru. Para muitos, ele é visto como alguém que entende a realidade do povo, e essa conexão traz esperança e alegria a todos. A Igreja está se preparando de forma meticulosa, organizando eventos e reflexões para acolher o Papa com toda a reverência que sua visita merece.