Pascom promove encontros que valorizam a beleza das relações

O 9º Encontro Nacional da Pascom, que está acontecendo no Santuário Nacional de Aparecida, SP, trouxe à tona reflexões importantes sobre o papel dos comunicadores católicos em um mundo em constante transformação tecnológica. O evento reúne cerca de 1.500 profissionais de comunicação de diversas regionais da CNBB, e o tema deste ano é “Evangelização em movimento: a dimensão pastoral da comunicação”.

Paolo Ruffini, prefeito do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé, participou da abertura do encontro e compartilhou suas ideias sobre como a comunicação deve se adaptar a essas novas realidades, especialmente com o advento da Inteligência Artificial. Ele destacou a importância de fortalecer a rede da Igreja, sempre mantendo o foco no ser humano. Para Ruffini, a vocação de um comunicador vai além do simples ato de informar; é, na verdade, um chamado a ser um “discípulo missionário em movimento”.

Ele enfatizou que a comunicação da Igreja deve ir além do individualismo e buscar uma verdadeira comunhão entre todos os comunicadores. Quando falamos, mesmo que seja sobre notícias ou eventos, existe algo maior que nos une e nos ilumina. Essa comunicação deve ser pautada pelo amor, evitando discursos vazios e slogans que não tocam o coração.

Ruffini também abordou os desafios que enfrentamos no mundo digital. Ele observou que existem muitos movimentos nas redes sociais, alguns realmente significativos, enquanto outros não passam de ruído. Nesse contexto, ele convidou todos a refletirem sobre uma comunicação mais participativa e missionária, que seja um sinal de caridade e unidade. O Papa Francisco já havia alertado sobre o risco de nos perdermos em uma comunicação que prioriza a autopromoção, e Ruffini reforçou que a Igreja deve ser um povo em caminhada, sempre em busca de conexão e diálogo.

Outro ponto importante que ele trouxe à tona foi a questão da privacidade e da verificação de informações nas redes sociais. Com a Inteligência Artificial, corremos o risco de criar um “mundo artificial” que pode nos privar de liberdade verdadeira. Por isso, é fundamental que a Pastoral da Comunicação trabalhe na formação de pessoas para o uso consciente das mídias, contribuindo para um novo humanismo digital.

Num cenário onde o discurso é muitas vezes polarizado e agressivo, Ruffini reiterou o convite do Papa para “desarmar a comunicação”. Ele acredita que é hora de repensar como utilizamos a tecnologia, buscando sempre a paz e o diálogo. A ideia é que possamos orientar essa mudança, em vez de sermos guiados por ela.

Ao falar sobre a beleza da Pascom, Ruffini sugeriu uma aproximação com a Pastoral Juvenil e um uso mais consciente da Inteligência Artificial. Ele acredita que, quando a tecnologia é utilizada para promover encontros e experiências de beleza e oração, ela pode ser uma força positiva para o bem comum.

A mensagem final de Ruffini foi clara: a comunicação deve sempre ter como foco a pessoa humana. Os comunicadores são os responsáveis por como as tecnologias influenciam nossa sociedade. Ele alertou que a mensagem do Evangelho não deve ser tratada como um produto a ser vendido, pois Jesus não é uma marca, mas um dom.

O evento, portanto, não é apenas uma reflexão sobre comunicação, mas um convite a todos os participantes para que se unam em projetos colaborativos, rompendo as barreiras e construindo uma verdadeira comunhão com o mundo.

Sobre o Autor

João Ribeiro