Nesta quarta-feira, dia 23, a Igreja celebra a memória de São Lino, que foi o primeiro sucessor de São Pedro e, portanto, o segundo Papa da história. A trajetória de São Lino é marcada por desafios, especialmente por viver em um período de intensa perseguição romana aos cristãos.
Vamos lembrar um pouco da história. Quando Simão declarou sua fé em Jesus, reconhecendo-o como “o Cristo, o Filho do Deus vivo”, ele recebeu um novo nome: Pedro. Esse momento foi crucial, pois, por meio dele, Jesus o designou como o primeiro Papa. Pedro tinha a missão de guiar os apóstolos e fortalecer a unidade da fé entre os primeiros cristãos. Hoje, ao olharmos para a sucessão papal, vemos um fio contínuo que conecta os fiéis até os dias atuais.
Mas quem foi São Lino? Ele nasceu na região da Tuscia, que corresponde à atual Volterra, na Itália, e era discípulo de São Paulo. A Bíblia menciona Lino na Segunda Carta a Timóteo, onde Paulo cita alguns irmãos de fé, incluindo Lino, durante seu último encarceramento em Roma. Isso nos dá uma ideia de que ele já estava bem inserido na comunidade cristã local.
Santo Irineu de Lyon, um dos primeiros teólogos, também fala sobre Lino em sua obra, afirmando que, após fundar a Igreja de Roma, os apóstolos Pedro e Paulo confiaram a liderança a ele. Isso mostra que Lino tinha um papel importante na Igreja primitiva, o que o tornava uma escolha natural para suceder Pedro.
A Comunidade Cristã na Época de São Lino
São Lino foi Papa entre os anos 67 e 76, um período marcado por grandes dificuldades para os cristãos em Roma. O professor Felipe Aquino destaca que, segundo o Martirológio Romano, todos os primeiros trinta Papas foram mártires. Isso mostra o quanto a vida deles era arriscada. Durante a perseguição de Nero, iniciada em 64, muitos cristãos enfrentaram a morte, incluindo figuras como São Pedro e São Paulo, que foram martirizados.
A comunidade cristã daquela época era unida e resiliente. Os relatos dos Atos dos Apóstolos descrevem como os fiéis se dedicavam ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão e à oração. Eles viviam em um ambiente de partilha e alegria, mesmo diante das adversidades. Na prática, isso significava que os cristãos se reuniam regularmente, partilhavam refeições e apoiavam uns aos outros, criando laços de solidariedade e amor.
Portanto, ao celebrarmos São Lino, não apenas lembramos de sua contribuição como líder da Igreja, mas também das dificuldades que ele e os primeiros cristãos enfrentaram. É uma história de coragem, fé e união que ecoa até os dias de hoje.