rejeição à lógica do medo da retórica nuclear

A Missão de Observação Permanente da Santa Sé na ONU está chamando a atenção para um assunto sério: a necessidade urgente de aplicar o Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares. Recentemente, o monsenhor Robert Murphy, conselheiro da missão, trouxe à tona a realidade alarmante que estamos vivendo, marcada por discursos e ações que cultivam uma verdadeira “cultura do medo”. Ele destacou que, por trás de estratégias e arsenais, estão pessoas cujas dignidades estão sendo esquecidas em nome de interesses militares e políticos.

Na terça-feira, 1º de setembro, durante duas declarações, Murphy enfatizou essa urgência em eventos importantes: uma reunião para celebrar o Dia Internacional contra os Testes Nucleares e um encontro sobre assistência às vítimas e recuperação ambiental. Ele lembrou que o legado devastador dos testes nucleares não fortalece a convicção de que a paz pode ser alcançada através do desenvolvimento de armas destrutivas. Na prática, isso se reflete em um retorno à dissuasão nuclear, algo que está gerando preocupação global.

O primeiro discurso foi dedicado ao Dia Internacional contra os Testes Nucleares, celebrado em 29 de agosto. Murphy fez um alerta sobre a crescente retórica nuclear agressiva e o quanto isso compromete normas internacionais estabelecidas. Ele citou o Papa Leão XIV, que já havia mencionado a importância de abandonar a construção de armas nucleares como um reconhecimento da ameaça que essas armas representam para a humanidade.

Em sua fala, Murphy também pediu a implementação do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBT) e elogiou o trabalho da Comissão Preparatória da CTBTO. Ele acredita que a ciência, a tecnologia e a cooperação internacional podem ser utilizadas para promover a transparência e a confiança entre as nações. Além disso, reafirmou o apoio da Santa Sé ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e ao Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, sonhando com um mundo livre dessas armas e uma paz duradoura.

No segundo discurso, o monsenhor também abordou a questão da “cultura do poder”. Ele ressaltou que, em um cenário onde recursos e a capacidade de dominar ditam decisões, a guerra acaba se tornando uma solução normalizada. Essa situação é ainda mais preocupante no contexto nuclear, onde as tecnologias de armas estão se modernizando e expandindo. Murphy lembrou que é imprescindível considerar as vítimas dessas situações, oferecendo apoio médico e psicológico aos afetados pela radiação dos testes nucleares, especialmente às comunidades que já enfrentam fardos desproporcionais, como os povos indígenas.

Ele também destacou que cuidar das vítimas não é suficiente; é fundamental cuidar do meio ambiente, já que a contaminação pode afetar a saúde das comunidades e prejudicar as gerações futuras. Os tratados mencionados são vistos como pilares essenciais para a construção de um mundo sem armas nucleares, promovendo uma segurança que priorize a pessoa humana, baseada no diálogo e na confiança mútua.

Murphy concluiu sua fala ressaltando que as pessoas afetadas por armas nucleares não pedem apenas que lidemos com os danos do passado, mas que seus testemunhos nos ajudem a moldar nossas decisões para o futuro. Ao fazermos isso, podemos ir além da busca pelo poder e construir uma visão de segurança que proteja a humanidade e o nosso planeta.

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João Ribeiro