Durante a 70ª Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que está acontecendo em Viena, o arcebispo Paul Richard Gallagher trouxe à tona temas importantes sobre o uso responsável da tecnologia, especialmente no que diz respeito à energia nuclear e à inteligência artificial. O evento, que ocorre de 14 a 18 de setembro, é uma oportunidade para discutir como essas tecnologias podem ser utilizadas em prol do bem comum.
No discurso que fez em nome da Santa Sé, Gallagher enviou saudações do Papa Leão XIV e enfatizou a necessidade de guiar o avanço científico por valores éticos. Ele lembrou que a Santa Sé foi uma das fundadoras da AIEA há 70 anos e reiterou que a visão continua a ser a mesma: a tecnologia deve servir à paz e ao desenvolvimento humano, evitando qualquer uso que possa ser destrutivo.
Gallagher destacou que a tecnologia nuclear, quando aplicada de maneira pacífica, pode ter um papel fundamental em áreas como saúde, agricultura e geração de energia, especialmente em países em desenvolvimento. Ele sublinhou a importância da AIEA em promover a cooperação técnica e o fortalecimento das instituições locais, para que esses benefícios sejam acessíveis a todos.
Ele também fez um alerta sobre as responsabilidades que vêm com o uso da energia nuclear. Um ponto crucial é o compromisso dos países que não possuem armas nucleares em não buscá-las. Para a Santa Sé, é essencial que existam salvaguardas rigorosas da AIEA, garantindo que os programas nucleares sejam sempre voltados para fins pacíficos, trazendo transparência e confiança entre as nações.
Ao relembrar os 40 anos do desastre de Chernobyl, Gallagher ressaltou que a tragédia continua a ser um marco na forma como o mundo entende a segurança nuclear. Ele afirmou que os efeitos do acidente ainda são sentidos e que os benefícios da energia nuclear devem ser acompanhados de uma responsabilidade rigorosa e um compromisso firme com a segurança.
O arcebispo também enfatizou que ataques a instalações nucleares são inaceitáveis, especialmente em tempos de conflito. Tais ações poderiam resultar em vazamentos radioativos, com consequências graves para o meio ambiente e para a saúde das pessoas em várias partes do mundo.
Outro ponto discutido foi a relação entre inteligência artificial e energia nuclear. Gallagher observou que a AIEA tem promovido discussões sobre os desafios trazidos por essas tecnologias, incluindo um simpósio recente sobre o tema. Ele acredita que, embora a IA possa melhorar a segurança e a eficiência no setor nuclear, é preciso ter uma abordagem ética, prudente e que exija supervisão humana.
O arcebispo citou a encíclica “Magnifica Humanitas”, de Leão XIV, para alertar sobre o perigo de deixar que crises definam o caminho da inovação tecnológica. A Santa Sé defende que qualquer avanço deve respeitar a dignidade humana e estar voltado para o bem coletivo, garantindo que a IA no campo nuclear seja desenvolvida com consciência dos riscos e sob uma forte supervisão.
Essas questões levantadas na conferência nos fazem refletir sobre como o uso responsável da tecnologia pode ser uma força para o bem, desde que guiado por princípios éticos e um compromisso com a segurança e a paz.