A Campanha Setembro Amarelo traz à tona um tema muito importante: a prevenção do suicídio e a necessidade de acolher pessoas que estão passando por momentos difíceis. A escuta é uma ferramenta poderosa nesse processo. Seja entre amigos, familiares ou em comunidades religiosas, ouvir de verdade pode ser o primeiro passo para oferecer ajuda.
É fundamental lembrar que, ao ouvir alguém que está sofrendo, também precisamos reconhecer nossos limites. Se a situação exige um apoio mais especializado, profissionais como psicólogos e psiquiatras desempenham um papel essencial. Eles estão lá para fornecer o acompanhamento necessário.
### Sinais de que alguém precisa de ajuda
A psicóloga Andressa Pereira alerta que os sinais de sofrimento psicológico podem ser bem sutis. Cansaço constante, tristeza profunda e crises de ansiedade são algumas das manifestações que merecem atenção. Além disso, mudanças no sono e no apetite, desinteresse por atividades que antes eram prazerosas e até alterações no desempenho no trabalho ou na escola devem ser olhados com cuidado.
Quando alguém começa a perceber esses sinais, pode ser um bom momento para buscar ajuda. Andressa destaca que a psicoterapia não é apenas para momentos de crise; ela também pode ser uma ferramenta valiosa para autoconhecimento e prevenção.
### O CVV: um espaço seguro para conversar
Um recurso importante para quem precisa desabafar é o Centro de Valorização da Vida (CVV). O CVV oferece apoio emocional gratuito, sigiloso e anônimo. Você pode entrar em contato pelo telefone 188, que funciona 24 horas, além de ter opções de chat e e-mail.
Eliane Soares, voluntária do CVV, conta que em 2025 foram realizados cerca de 2 milhões de atendimentos. O que acontece quando você liga é que um voluntário treinado está ali para ouvir, acolher e respeitar você, sem julgamentos. É um espaço onde você pode se sentir à vontade para falar sobre o que está sentindo.
Além disso, o CVV também tem o Grupo de Apoio aos Sobreviventes do Suicídio (GASS), onde pessoas que perderam alguém para o suicídio podem encontrar apoio e compartilhar suas experiências.
### A escuta nas comunidades religiosas
Nas comunidades católicas, iniciativas como a Pastoral da Escuta oferecem apoio emocional. A psicóloga Raquel Irene, que atua na Diocese de Taubaté (SP), explica que muitas pessoas procuram a Pastoral já em acompanhamento médico ou psicológico. Para elas, a Igreja se torna um espaço seguro para conversar sobre suas angústias e solidões.
Raquel enfatiza que, em casos de pensamentos suicidas, os membros da Pastoral estão preparados para encaminhar a pessoa a serviços de saúde mental. É importante que os agentes da Pastoral saibam ouvir sem julgamentos, criando um ambiente acolhedor.
### A relação entre fé e saúde mental
Um ponto importante que Raquel destaca é que a fé não deve ser vista como um substituto para o tratamento médico. Há um estigma, especialmente entre alguns grupos religiosos, que associa problemas como depressão e ansiedade à falta de fé. Isso pode aumentar a culpa e a dor de quem já está sofrendo.
Ela ressalta que a fé pode ser uma fonte de força, mas é essencial buscar ajuda profissional quando necessário. A psicóloga Andressa complementa que a espiritualidade pode ser um aspecto importante no tratamento, desde que respeitada e integrada de forma adequada.
### Onde encontrar ajuda
Além do CVV e da Pastoral da Escuta, é possível buscar apoio nos serviços de saúde pública. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Em situações de emergência, você pode procurar uma UPA 24 horas ou um hospital. Caso precise de ajuda imediata, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) pode ser acionado pelo telefone 192.
É sempre bom lembrar que procurar ajuda é um sinal de força e que não estamos sozinhos nessa jornada.