Nos últimos anos, a prostituição ganhou uma nova cara, especialmente com a popularização da internet e das redes sociais. Agora, muitas pessoas têm se aventurado na venda de conteúdo adulto online, uma prática que, segundo especialistas, está crescendo bastante no Brasil. Isso envolve a autoexposição, onde indivíduos compartilham fotos e vídeos de forma pornográfica.
Um exemplo é Vitor Castro, que um dia fez parte desse mundo. Ele decidiu deixar essa vida para trás e hoje atua como gerente de contas. Vitor começou a vender conteúdo adulto para sustentar um estilo de vida que, na época, estava repleto de vícios. “Era um jeito rápido e fácil de ganhar dinheiro, mas me sentia sujo e sem dignidade”, ele conta. Com o tempo, uma experiência espiritual o ajudou a mudar de direção. “A fé me iluminou e minha consciência começou a pesar. Antes, eu não entendia que meu corpo era um templo”, reflete.
### A Relação com o Corpo
Mário Ribeiro, professor de Direito, Filosofia e Teologia na Universidade Federal do Pará, traz uma visão interessante sobre esse fenômeno. Para ele, não existe uma única razão para o crescimento da venda de conteúdo adulto. Muitas vezes, as pessoas são atraídas pela promessa de dinheiro rápido e pela busca por reconhecimento social. Ele destaca que essa visão, que separa o “eu” do corpo, pode ser problemática. “Se eu vejo meu corpo apenas como um objeto, é mais fácil usá-lo como um instrumento”, observa.
Para Ribeiro, essa perspectiva vai contra a visão católica, que enxerga a pessoa como uma unidade entre corpo e alma. “Não sou apenas um corpo; sou uma pessoa que possui um corpo. O que faço com meu corpo afeta quem eu sou”, explica. É uma forma de lembrar que o trabalho deve ter dignidade e não se resumir a um serviço apenas por dinheiro. “Trabalho autêntico busca realizar valores que são fundamentais para a vida”, acrescenta.
### A Visão da Igreja sobre a Prostituição
Ribeiro também faz uma reflexão importante sobre a diferença entre criar conteúdo adulto e a prostituição tradicional. Embora ambas as práticas tenham suas nuances, elas compartilham um núcleo moral: a transformação da intimidade em um objeto de consumo. “A tecnologia pode facilitar o acesso, mas não muda a natureza moral da escolha”, alerta. A prostituição, segundo ele, reduz a dignidade da pessoa a um mero objeto de prazer.
O padre José Rafael Solano Duran, da Arquidiocese de Londrina, complementa essa visão. Para ele, a prostituição não é apenas um ato, mas uma ofensa grave à dignidade humana. “Quando falamos de prostituição, estamos falando de um pecado que pode estar ligado a adultério e fornicação”, explica. Ele ressalta que ao pagar por prazer, a pessoa se torna um objeto. “Qualquer uso de conteúdo adulto na internet também é uma forma de prostituição”, destaca.
### A Profundidade do Problema
Solano menciona três aspectos sociais que estão por trás da prostituição. O primeiro é a objetificação da pessoa, transformando-a em um mero objeto de prazer. O segundo é a maneira como esse prazer é obtido, já que muitas vezes envolve redes que exploram pessoas vulneráveis. Por fim, ele fala sobre a objetificação da relação sexual, que desvirtua seu propósito original.
Ele também alerta sobre o vício em pornografia, conhecido como pornofilia. “Esse vício afeta profundamente o cérebro e pode ser difícil de superar”, conclui. Na prática, isso significa que muitas pessoas podem se sentir presas a um ciclo de consumo que distorce suas relações e sua percepção de intimidade.